Entrevista

‘Dark horse’, mesmo sem financiamento indevido, ainda afetaria candidatura de Flávio

Narrativa extremista do filme se contrapõe à imagem moderada que Flávio persegue, além disso não seria capaz de reverter voto de eleitor indeciso, avalia professor da Uerj, João Cezar Castro Rocha

27/05/2026 às 14:42 · Atualizado há 3 meses
Flávio Bolsonaro aparece atrás nas pesquisas de intenção de voto, após polêmica de filme “Dark Horse”. (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)

Em entrevista ao Matinal desta terça-feira (26), o professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) João Cezar de Castro Rocha afirmou que nem mesmo Shakespeare poderia ter imaginado um roteiro tal qual o do filme “Dark horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. 

Para o pesquisador, o filme ainda poderia passar a se chamar “Black hole” (na tradução, “Buraco negro”), já que o que era para impulsionar a família Bolsonaro acabou os colocando no centro de polêmicas, após ser divulgado que o dinheiro destinado para a produção do filme foi pedido pelo senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao dono do Master, Daniel Vorcaro. 

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Ainda segundo o professor, mesmo que o investimento destinado não tivesse vindo de uma fonte suspeita, o roteiro em si ainda seria um problema já que traz uma narrativa polarizada. “É um filme extremista, que se contrapõe à imagem do Flávio Bolsonaro moderado”.

Matinal recebe professor da UERJ para debater sobre polêmicas envolvendo campanha de Flávio Bolsonaro. (Amado Mundo)

Filme ‘Dark horse’ abre vantagem para Lula

Na prática, isso significa que o filme não seria capaz de virar o voto do eleitor que ainda não se decidiu entre o presidente Lula (PT) e Flávio (PL). 

“O voto bolsonarista está assegurado em qualquer circunstância. Se não pode ser, seria um delírio ainda maior do que a própria fake news, converter um voto petista em voto a Flávio Bolsonaro. […] No Brasil existe um eleitorado que ora vota Bolsonaro, ora vota Lula, de acordo com as circunstâncias. É esse eleitorado que está sempre oscilando quem decide a eleição”, argumentou em entrevista ao Amado Mundo.  

Segundo a última pesquisa do instituto Datafolha, divulgada na sexta-feira (22), Lula aparece com 47% das intenções de voto e Flávio com 43%, em um eventual segundo turno. A pesquisa anterior feita antes das polêmicas envolvendo “Dark horse” mostrava empate técnico entre os dois candidatos no segundo turno. 

Para Castro Rocha, a produção atingiu o contrário do que se pretendia: “O filme é o oposto da imagem do Flávio para conquistar aqueles 5% do eleitorado. O filme é um filme extremista, radical, extrema-direita na veia, delírio completo”.

Assista a entrevista completa do Matinal desta terça:

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