‘Dark horse’, mesmo sem financiamento indevido, ainda afetaria candidatura de Flávio
Narrativa extremista do filme se contrapõe à imagem moderada que Flávio persegue, além disso não seria capaz de reverter voto de eleitor indeciso, avalia professor da Uerj, João Cezar Castro Rocha

Em entrevista ao Matinal desta terça-feira (26), o professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) João Cezar de Castro Rocha afirmou que nem mesmo Shakespeare poderia ter imaginado um roteiro tal qual o do filme “Dark horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para o pesquisador, o filme ainda poderia passar a se chamar “Black hole” (na tradução, “Buraco negro”), já que o que era para impulsionar a família Bolsonaro acabou os colocando no centro de polêmicas, após ser divulgado que o dinheiro destinado para a produção do filme foi pedido pelo senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao dono do Master, Daniel Vorcaro.
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Ainda segundo o professor, mesmo que o investimento destinado não tivesse vindo de uma fonte suspeita, o roteiro em si ainda seria um problema já que traz uma narrativa polarizada. “É um filme extremista, que se contrapõe à imagem do Flávio Bolsonaro moderado”.

Filme ‘Dark horse’ abre vantagem para Lula
Na prática, isso significa que o filme não seria capaz de virar o voto do eleitor que ainda não se decidiu entre o presidente Lula (PT) e Flávio (PL).
“O voto bolsonarista está assegurado em qualquer circunstância. Se não pode ser, seria um delírio ainda maior do que a própria fake news, converter um voto petista em voto a Flávio Bolsonaro. […] No Brasil existe um eleitorado que ora vota Bolsonaro, ora vota Lula, de acordo com as circunstâncias. É esse eleitorado que está sempre oscilando quem decide a eleição”, argumentou em entrevista ao Amado Mundo.
Segundo a última pesquisa do instituto Datafolha, divulgada na sexta-feira (22), Lula aparece com 47% das intenções de voto e Flávio com 43%, em um eventual segundo turno. A pesquisa anterior feita antes das polêmicas envolvendo “Dark horse” mostrava empate técnico entre os dois candidatos no segundo turno.
Para Castro Rocha, a produção atingiu o contrário do que se pretendia: “O filme é o oposto da imagem do Flávio para conquistar aqueles 5% do eleitorado. O filme é um filme extremista, radical, extrema-direita na veia, delírio completo”.
Assista a entrevista completa do Matinal desta terça: