CSA notifica Força Forte União e pede no Cade o afastamento do gestor da liga de futebol
CSA aponta alinhamento da administração da Força Forte União com a Sports Media; Condomínio Forte União diz que alegação do clube 'não procede'

O Centro Sportivo Alagoano (CSA) protocolou uma nova petição no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e enviou uma notificação extrajudicial ao presidente do Comitê Condominial do Condomínio Forte União para tentar afastar Gabriel Ribeiro Lima do comando da Administração do arranjo. O clube acusa o executivo de perder a independência e atuar em favor da investidora Sports Media Entertainment dentro das discussões sobre o modelo de negócios da liga de futebol. O Condomínio Forte União, no entanto, contesta as alegações do clube e diz que “Não procede, portanto, a afirmação de que o administrador do CFU estivesse assessorado exclusivamente por advogados da Sports Media Entertainment (SME), que faz parte do condomínio”.
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A acusação se baseia na presença de Gabriel Lima em uma audiência técnica realizada no órgão antitruste no início de agosto, acompanhado exclusivamente pelos advogados da investidora.
Para o time alagoano, o episódio comprova que a atual Administração do Condomínio Forte União passou a defender os interesses do parceiro financeiro em vez de manter a neutralidade entre as partes.
A petição do clube ainda revela que a própria FFU aprovou a contratação de advogados para defender os clubes de forma independente. Isso significa que a entidade que representa os clubes deixou de se alinhar ao investidor e passou a defender seus próprios interesses de forma separada no Cade. O Operário de Ponta Grossa tomou medida semelhante e também passou a contar com defesa própria nos autos.
O documento levado ao Cade destaca um impasse nas regras do contrato comercial. Embora os clubes sejam donos de 80% do negócio, as cláusulas atuais impedem que eles troquem a Administração sem o aval da própria Sports Media, já que a escolha do gestor e as regras de votação dão poder de veto à investidora.
O órgão antitruste já havia aplicado uma medida preventiva que prevê multa diária de R$ 250 mil caso a Sports Media crie barreiras para impedir a saída de clubes do bloco. A punição ocorreu após uma representação do próprio Centro Sportivo Alagoano contra a investidora no processo sobre condutas anticompetitivas.
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A Sports Media defende que o debate sobre a convenção e a gestão do condomínio envolve contratos privados e não deve ser analisado pelo Cade.
Procurado, o Condomínio Forte União esclarece que, no dia 6 de agosto, Gabriel Lima esteve presente em audiência técnica da Superintendência-Geral do Cade na condição de administrador do CFU. Na oportunidade, o executivo acompanhou advogados legalmente constituídos pelos clubes membros da Futebol Forte União (FFU) para representá-los no referido ato de concentração.
“É importante ressaltar que o clube assinou, na qualidade de integrante da FFU e do CFU, a procuração que constituiu os advogados acompanhados, na ocasião, por Gabriel Lima, para atuarem em seu nome e no da FFU no processo. Não procede, portanto, a afirmação de que o administrador do CFU estivesse assessorado exclusivamente por advogados da Sports Media Entertainment (SME), que faz parte do condomínio. Registre-se, ademais, que reuniões anteriores contaram com a presença das mesmas pessoas, sem que houvesse qualquer questionamento à época. Gabriel Lima participou, na qualidade de administrador do CFU, de outras audiências no Cade. Todas elas foram requeridas pelos canais institucionais adequados e devidamente divulgadas. O Condomínio Forte União é justamente a entidade cuja constituição é objeto da análise em curso. Trata-se de participação esperada e usual em análises de atos de concentração perante a autarquia”, completou.