Beatriz Bulla

Análises sobre política e economia

Análises sobre política e economia

Banner imagem do autor Banner mobile imagem do autor
Análise

Caso Master: festas sexuais reveladas pela PF são nova faceta da engrenagem de corrupção

Mesmo relatório que mostrava mensagens entre Vorcaro e Toffoli trouxe também a informação das orgias organizadas pelo banqueiro para receber autoridades e empresários

19/02/2026 às 11:32 · Atualizado há 6 meses
Daniel Vorcaro, empresário dono do Banco Master. Foto: Divulgação

A crise financeira do Banco Master ganhou agora uma nova camada, que tudo indica envolver também um escândalo de conotação sexual ao revelar festas organizadas por Daniel Vorcaro em Trancoso, na Bahia, regadas a bebidas e que envolviam garotas de programas, políticos e empresários.

Essa informação sobre as festas consta do relatório da Polícia Federal entregue ao presidente do Supremo, Edson Fachin, antes do Carnaval. Trata-se do mesmo relatório que motivou a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso no STF, sendo substituído por André Mendonça, depois de ter revelado mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zeta, tratando de um pagamento de R$ 20 milhões a uma empresa da qual Toffoli era sócio. O documento da PF menciona, pelo menos, 10 encontros entre Toffoli e Vorcaro.

Existem camadas a serem desveladas. A primeira delas diz respeito à percepção de que o oferecimento do acesso de autoridades a essas situações configura corrupção per se (“por si só”), uma vez que esse dinheiro comprou a estadia em casas de luxo, as bebidas caras e a participação eventual de garotas de programa, o que caracteriza o recebimento de vantagem indevida por parte de um agente público. Não é necessário que o capital vá diretamente para a conta do político para ser corrupção. Se ele usufrui de um ambiente propiciado por dinheiro de origem criminosa, cria-se uma intimidade e influência com Vorcaro em um nível superior ao de qualquer outro empresário.

É também inevitável traçar um paralelo com o caso de Jeffrey Epstein, cuja trajetória como empresário no mundo financeiro foi intimamente ligada a crimes sexuais, pois essas estruturas são construídas simultaneamente. O impacto político é significativo: um político que defende a moral e a família, ao envolver-se em um caso de orgia, enfrenta a incoerência entre o discurso e a prática. 

Além disso, o fato de tais festas com garotas de programa e políticos de diversas esferas não surpreenderem ninguém revela muito sobre como o poder é construído hoje em Brasília e na Faria Lima, sendo um ambiente dominado por homens de muita influência.

Dessa forma, para além do crescimento financeiro do grupo, há um eventual impacto do crime de conotação sexual. Embora a prostituição não seja crime, o favorecimento da prostituição e o tráfico de pessoas são. Informações indicam também que garotas de programa estrangeiras viriam ao Brasil exclusivamente para esses eventos, o que pode configurar crime por parte de Vorcaro ou de quem intermediou a relação.

Diante disso, o Ministério Público, junto ao Tribunal de Contas da União, já pediu a abertura de investigação para apurar a participação de autoridades nos eventos. Reportagens descrevem minuciosamente o ambiente de construção de laços entre o banqueiro e autoridades por meio dessas festas. Há, inclusive, registros de mensagens da proprietária da casa em Trancoso reclamando da presença de 20 prostitutas, mais gente do que estava autorizado no contrato e som alto. Aparentemente nada disso inibia Daniel Vorcaro de receber altas autoridades nessas festas.

Assista à íntegra da análise de Beatriz Bulla no Matinal desta quinta-feira (19/2):


Os artigos publicados pelo Amado Mundo não refletem necessariamente a opinião do site. O objetivo ao publicá-los é estimular o necessário debate em qualquer democracia.
PLAYLISTS
PUBLICIDADE
Publicidade