Reportagem

Falta de visibilidade do poder público dificulta profissionalização de ‘creators’

Especialistas defendem que influenciadores digitais e creators precisam ser vistos como empreendedores, contando inclusive com mais incentivo do poder público

por Thamires Almeida
28/05/2026 às 18:47 · Atualizado há 5 meses
Especialistas debatem importância da profissionalização dos criadores digitais em evento promovido pelo Amado Mundo. (Paulo Cerqueira)

A invisibilização dos “creators”, ou seja, os criadores de conteúdos, frente ao poder público cria uma teia de problemas que atinge amplamente as duas esferas — tanto os influencers quanto o governo —, avaliou Pedro Ramos, diretor executivo do RegLab. 

O Cadastro Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) não classifica os influenciadores como profissionais. Na prática, isso impossibilita que a categoria emita nota fiscal e tenha acesso a benefícios trabalhistas e fiscais. Do outro lado, a falta dessa nota impede que o governo cobre os impostos sobre os trabalhadores corretamente. 

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Para Pedro Ramos, o universo de criadores digitais no Brasil é percebido como entretenimento e ainda está longe de ser reconhecido como setor financeiro, apesar de movimentar e fomentar a economia criativa. “São pessoas que fazem parte de um setor industrial e precisam ser vistas como tal”. 

Outro ponto destacado é que entre 2015 e 2025, todos os projetos de lei propostos na Câmara dos Deputados tratavam exclusivamente da punição civil dos criadores pelo conteúdo veiculado e da tributação fiscal. Desse modo, para Ramos, as políticas desenvolvidas não focaram no desenvolvimento da atividade, mas sim da coibição. 

O criador de conteúdo e apresentador da DiaTV Gui Sampaio defendeu que os influencers precisam passar a serem vistos como um empreendedor, como parte de uma classe e responsável pelo que veicula.

“Você é sua própria empresa e você gere sua empresa como um negócio”, falou durante evento da Amado Mundo. 

Já para Flávia Paixão, empreendedora da EdTech, um boa alternativa é investir na profissionalização para categoria — que também são empreendedores, na sua visão. “O criador também precisa entender de gestão, e ninguém fala sobre isso.”

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