Quando vi, eu tava lá, escutando o hino nacional com meu filho no colo — numa Copa do Mundo
Por algumas boas horas antes do embarque para a Copa, pensei: 'Como vou dar conta de ver todos os jogos, apurar, escrever, gravar, editar, postar, entrar ao vivo e ainda parar no parquinho?'

Por algumas boas horas antes do embarque para a Copa do Mundo e até durante os primeiros dias do campeonato — o primeiro Mundial para o qual levei meu filho de quase 2 anos de idade junto comigo para a cobertura —, eu pensei: “Putz, será que eu não deveria estar em casa lavando a louça? Tem tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo nessa Copa. Como eu vou dar conta de ver todos os jogos, apurar, escrever, gravar, editar, postar, entrar ao vivo e ainda parar no parquinho? E se nenhuma marca quiser apoiar uma mãe quarentona e cansada?”
Mas, quando eu vi, eu tava lá, emocionada, escutando o hino nacional com meu filho no colo. Numa Copa do Mundo. A cena era tão surreal que eu tive um ataque de riso.
Durante tantas vezes eu escutei — e ainda escuto — que esse não é meu lugar.
E o argumento sempre cai no: “A pia tá cheia”. E tá mesmo. A pia tá cheia porque eu estou aqui com meu filho na Copa do Mundo.

Mas a desvantagem (ou vantagem) de ser mãe é que não dá tempo de parar pra pensar. A fralda tá cheia e não tem trocador nesse estádio. Já, já, vai ser a hora da soneca, e a torcida tá fazendo muito barulho. Preciso achar alguma coisa pra ele comer que não seja batata frita!
E assim, focando no que é de fato o mais importante da vida, o trabalho ganhou o peso que precisa. E ficou leve. E a criatividade veio com tudo. E os vídeos ficaram melhores do que eu sonhava. A audiência foi incrível. E o YouTube apoiou nosso projeto! O YouTube!
E o Amado Mundo gostou tanto que quer continuar a parceria depois da copa!
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E o Lore escutou o hino brasileiro pela primeira vez na vida. E aprendeu a torcer pelo Brasil. Aprendeu que os museus são lugares incríveis. Viu como Nova York fica pequenininha lá no alto. Andou de trem. Aprendeu palavras em outra língua. Provou muitas comidas diferentes. Até marcou um gol na Copa!
Fez os primeiros amigos no estádio — e espero que sejam os últimos. E tirou a primeira soneca vendo um jogo do Brasil — e espero que seja a última.
Acho que ele entendeu só um pouco do porquê que a mamãe se emocionou tanto de ver tudo isso de perto com ele.
E, quando crescer, ele provavelmente não vai se lembrar de nada, mas tenho certeza absoluta que ele nunca vai tentar rebaixar uma mulher dizendo pra ela lavar a louça.