Copa do Mundo: um garimpo com filmes de países pouco famosos pelo cinema
A seleção tem títulos do Paraguai, Arábia Saudita, Egito, Bélgica, Holanda e Bósnia e Herzegovina

Dou continuidade ao meu post da semana passada, sobre países que disputam a Copa do Mundo e não são tão conhecidos pelo cinema. A primeira fase da competição termina nesta sexta (26/6), e algumas seleções já estão de malas prontas, mas vale o registro dos longas-metragens abaixo, que, provavelmente, a maioria do público desconhece – e estão disponíveis nas plataformas de streaming.
Paraguai
- “As herdeiras” (disponível no Reserva Imovision) – Trata-se do relacionamento de duas mulheres maduras, que são separadas quando uma delas é presa por sonegação fiscal. Embora esse retrato da decadência da elite de Assunção não seja inspirado em fato, traz a contundente realidade do país vizinho.
- “Em busca do tesouro desaparecido” (Claro Video) – Juan Carlos Maneglia e Tana Schembori são os realizadores do ótimo “7 caixas”, de 2012, que, infelizmente, não tem no streaming. Nesse filme de 2017, a dupla de cineastas parte para algo mais juvenil, ao colocar adolescentes à procura um tesouro após encontrar um mapa que, provavelmente, data da Guerra do Paraguai.
Egito
- “Clash” (Reserva Imovison) – Um dos melhores filmes egípcios se passa em 2013, na cidade do Cairo, que está em convulsão por motivos políticos. E é dentro de um camburão que grupos rivais vão se enfrentar. Como quase tudo se desenrola num espaço diminuto, a sensação claustrofóbica é permanente.
- “Yomeddine” (Reserva Imovision) – Candidato do Egito ao Oscar de melhor filme internacional, em 2019, o drama segue a jornada de um senhor leproso, que foi abandonado por sua família ainda criança e, agora, acompanhado de um garoto órfão, tenta reencontrar os parentes.
Bélgica
- “Girl” (Netflix) – O diretor belga Lukas Dhont, que é homossexual, sempre procura retratar personagens LGBTs em seus filmes. Aqui, o foco recai sobre uma garota trans que passa por situações desconfortáveis numa escola de balé, mas é apoiada pelo pai após ter feito a transição de gênero. Foi o longa-metragem que a Bélgica escolheu para representar o país no Oscar 2019.
- “Close” (MUBI) – O mesmo diretor, Lukas Dhont, dessa vez, conseguiu sua indicação ao Oscar de melhor filme internacional em 2023. O drama, extremamente delicado, sensível e triste, é sobre a amizade (e algo mais) entre dois garotos.
- Jean-Pierre e Luc Dardenne – Os irmãos Dardenne são veteranos do cinema belga e os mais famosos diretores do país, sendo várias vezes indicados à Palma de Ouro no Festival de Cannes e duplamente vencedores, por “Rosetta”, em 1999, e “A criança”, em 2005. Cinco de seus filmes também foram escolhidos para representar a Bélgica no Oscar. Filmes dos Dardenne disponíveis no streaming: “Jovens mães” (aluguel na AppleTV e Prime Video), “Dois dias, uma noite” (Reserva Imovision), “A garota desconhecida” (Adrenalina Pura), “O jovem Ahmed” (Reserva Imovision) e “Tori e Lokita” (DiamondFilms+).
Bósnia e Herzegovina
- “Quo Vadis, Aida?” (Filmelier+) – Esse drama, que concorreu ao Oscar de melhor filme internacional em 2021, aborda um triste capítulo da Guerra da Bósnia, quando, em 1995, os habitantes de uma cidade, tomada pelos inimigos sérvios tentaram se refugiar num galpão controlado pela ONU.
Holanda
- “A espiã” (Amazon Prime Video) – É dirigido pelo veterano Paul Verhoeven, que se consolidou em Hollywood em filmes como “RoboCop” e “Instinto selvagem”. De volta ao seu país, ele fez um empolgante registro da Segunda Guerra Mundial por meio de uma personagem verídica: uma cantora judia que muda de nome e se envolve, com segundas intenções, com um oficial alemão.
- “Instinto” (MUBI e Looke) – Indicação da Holanda para o Oscar 2019, o drama enfoca o dilema de uma psicóloga que se deixa seduzir por um paciente, que tem um passado manchado por agressões sexuais.
- “Antonia, uma sinfonia” (Filmelier+) – Cinebiografia competente da maestrina Antonia Brico, que nasceu na Holanda, em 1926, e migrou para os Estados Unidos a fim de tornar-se regente de uma orquestra sinfônica.
- “Que se dane o amor, de novo” (Netflix) – Comédia popular sobre uma jovem que, depois de uma desilusão amorosa, viaja com amigas para Ibiza e, mesmo estando acompanhada de um crush, volta a encontrar o ex-namorado.
Arábia Saudita
- “O sonho de Wadjda” (Reserva Imovision e MUBI) – Haifaa Al-Mansour, a primeira mulher saudita a dirigir um filme, estreou no cinema, em 2012, com esse tocante retrato de uma garota que, para comprar uma bicicleta, entra num concurso de recitação do Alcorão.
- “A candidata perfeita” (Reserva Imovision) –A Arábia Saudita reabriu as salas de cinemas só em 2018, depois de um hiato de 35 anos. Essa história, também conduzida pela diretora Haifaa Al-Mansour, é sobre uma médica que, por obra do destino, acaba se candidatando a um cargo público, mas sofrerá as consequências diante de uma sociedade patriarcal e machista.
- “Basma” (Netflix) – Outra diretora, Fatima Al-Banawi, comanda esse drama sobre uma jovem que retorna a Jedá e, aos poucos, percebe que sua família está escondendo segredos.