Miguel Barbieri

Tudo sobre cinema e o mundo dos streamings

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Embora fascinante, ‘Contos paralelos’ foi preterido no Oscar 2027

Com mais três exibições no Festival do Rio, 'Contos paralelos' deve chegar aos cinemas em 12 de novembro

03/10/2026 às 09:32 · Atualizado há 2 dias
Isabelle Huppert em 'Contos paralelos': a escritora que observa os vizinhos (divulgação)
Isabelle Huppert em ‘Contos paralelos’: a escritora que observa os vizinhos (divulgação)

Uma das opções para a França escolher seu representante ao Oscar de melhor filme internacional era “Contos paralelos”, do diretor Asghar Farhadi. Mas o filme do iraniano acabou superado por “Minotauro”, que levou o Grande Prêmio (Grand Prix) no Festival de Cannes. Farhadi, que está no Rio de Janeiro, já tem dois Oscars — algo raro para um diretor de língua não inglesa, o que o fez entrar para o seleto grupo de mestres como Fellini, Kurosawa e Bergman.

“Contos Paralelos”, que eu vi na noite de ontem (2/10) no Festival do Rio, não é, realmente, um de seus melhores trabalhos, mas está muito acima da média do que a gente vê por aí. Seus filmes mais formidáveis são os que retratam as mazelas da sociedade iraniana e são filmados no idioma de seu país, o farsi. É o caso dos dois longas que lhe deram o Oscar (“A separação” e “O apartamento”) e também do igualmente genial “Um herói”.

‘Contos paralelos’ é falado em francês e se passa em Paris

O novo trabalho de Farhadi é falado em francês, tem estrelas francesas e se passa em Paris. Eu acho Farhadi um gênio ao costurar suas histórias rocambolescas numa narrativa labiríntica. Talvez, aqui, ele tenha pecado pelo excesso – não só pelo emaranhado, mas também pela duração de 160 minutos.

Rapidamente, sobre o que é a trama? Isabelle Huppert é Sylvie, uma escritora que desenvolve seu novo livro observando os moradores de um edifício em frente ao seu. São dois homens e uma mulher que trabalham num estúdio de efeitos sonoros para o audiovisual: Nita (Virginie Efira) namora Christophe (Pierre Niney), mas tem um caso com o irmão dele (Vincent Cassel). Há ainda a história de Adam (Adam Bessa), um jovem que passa a trabalhar como assistente de Sylvie e se interessa por sua obra.

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Farhadi se inspirou em “Não Amarás” (1988), clássico do polonês Krzysztof Kieślowski no qual um rapaz se apaixona pela vizinha da frente ao observar seu cotidiano. O iraniano vai além ao colocar dois personagens (Sylvie e Adam) olhando os vizinhos para imaginar vidas privadas e transformá-las em literatura. O conto escrito por Sylvie vem da realidade ou da sua imaginação?

São várias questões levantadas por “Contos Paralelos” que fascinam o espectador num quebra-cabeça estiloso e, como sempre, filmado com precisão. Não é à toa que Farhadi, que já trabalhou com Penélope Cruz, Javier Bardem, Ricardo Darín e Tahar Rahim, além de elencos de grandes atores e atrizes iranianos, contou até com a presença luxuosa da diva Catherine Deneuve em uma participação especial em “Contos Paralelos”.

O filme tem mais três exibições no Festival do Rio e chega aos cinemas brasileiros em 12 de novembro.

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