Com R$ 4,8 bi represados, reciclagem busca apoio no Senado contra travas da Fazenda
Empresas de reciclagem só conseguiram financiar R$ 76 milhões de uma demanda bilionária; proposta amplia limite de dedução de IR para 4%.

O setor de reciclagem tenta convencer o Senado a carimbar um projeto aprovado na Câmara que esconde uma montanha de dinheiro represada pela falta de incentivos fiscais atrativos para as empresas. Existem hoje no país 2.340 projetos cadastrados de infraestrutura, capacitação e compra de equipamentos para cooperativas e triagem, todos prontos para sair do papel. Eles somam uma demanda de R$ 4,82 bilhões.
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Até agora, porém, o setor só conseguiu captar minguados R$ 76 milhões. É menos de 2% do total necessário, culpa do limite atual de dedução do Imposto de Renda para empresas, hoje travado em 1%.
A proposta em debate no Congresso tenta destravar esses investimentos ao quadruplicar esse limite para 4%. Mas o mercado já identificou duas travas no texto.
A primeira é que o uso do benefício continuará amarrado ao teto anual da Lei Orçamentária. Com o aperto nas contas públicas, a Fazenda tem poder para travar a liberação dos recursos.
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A outra é a Reforma Tributária. O crédito presumido para compra de recicláveis de cooperativas ficou em 20%, enquanto a alíquota estimada do IVA deve passar dos 26%. A diferença de preço na ponta pode anular todo o esforço do Imposto de Renda.