CNBB rebate acusação de Flávio sobre ‘fake news’ de Nossa Senhora: ‘Mentira não se combate com mentira’
Flávio Bolsonaro afirma que boato sobre retirada de título de santa como a padroeira do Brasil foi criado por 'gente de dentro' da CNBB

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro disse neste domingo, 27/09, que o boato de que sua campanha estaria com planos de derrubar o título de Nossa Senhora Aparecida como santa padroeira do Brasil é “fake news” criada pelo PT com “ajuda de gente de dentro” da CNBB (Conferência Nacional de Bisbos do Brasil). A fala foi feita durante entrevista do candidato em um comício de campanha em Goiânia (GO).
O boato de que sua campanha teria planos de retirar o título da padroeira tem origem em uma informação dada pela jornalista e comentarista da GloboNews, Maria Cristina Fernandes, durante o programa Em Pauta. Ela afirmou que bispos e representantes da Igreja Católica estariam preocupados com a ofensiva de evangélicos contra Nossa Senhora Aparecida.
Mais tarde, a emissora corrigiu oficialmente a informação, citando um projeto de lei de 2007 que retirava o status da santa como padroeira do País, entitulando Nossa Senhora Aparecida somente como padroeira dos católicos apostólicos romanos. O projeto foi criado pelo então deputado federal pelo PMDB, o pastor e teólogo Victorio Galli. Ele é próximo da família Bolsonaro, e tem fotos com Flávio, Eduardo e com o ex-presidente Jair Bolsonaro. O texto de Galli foi arquivado pela Mesa Diretora da Câmara em 2008.
Como o boato chegou à CNBB
No domingo, Flávio disse que o boato é “a maior fake news” da campanha presidencial. “Não existia esse movimento pra tirar ela de ser padroeira do Brasil, jamais existia (sic), não tem projeto, não tem nada”, afirmou. O candidato do PL disse que os rumores que jogam a campanha do PL contra a base de eleitores católicos foram espalhados com ajuda de “gente de dentro da CNBB”.
No início da noite de domingo, a CNBB se manifestou. Em nota de esclarecimento, a conferência de bispos rebate que “não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral”.
“Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral. A mentira não se combate com outra mentira”, conclui a nota da entidade.
Embate no Judiciário
Na sexta-feira, 25/09, após grande repercussão do boato nas redes sociais, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, na condição de membro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), exigiu a derrubada de mais de mil postagens na plataforma X, ex-Twitter, que replicavam a informação sobre Nossa Senhora Aparecida.
O magistrado também ordenou que as plataformas Meta, X, TikTok e YouTube adotem medidas urgentes para impedir a replicação de conteúdos idênticos.
No domingo, o ministro do STF Flávio Dino suspendeu os efeitos da decisão de Mendonça. Na decisão, Dino disse que um candidato político pode defender a suspensão do título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil, mas que ele estaria sujeito a críticas se o fizesse. Segundo o magistrado, a pauta não pode ser apagada das redes sociais por meio de uma decisão judicial com “caráter generalizante”, que atingiria “o direito à fé de dezenas de milhões de pessoas”.
Por fim, Dino afirmou que a intervenção na decisão de um colega da Suprema Corte se dá pela urgência no âmbito do calendário eleitoral e pela “sucessão de representações de índole criminal — inclusive com pedidos de prisão” noticiadas nas últimas horas.
Dino ressalvou que a decisão não impede medidas coercitivas ou penais durante a eleição, desde que respeitado o devido processo legal.
Lula comenta
Em entrevista ao Canal Livre, da BandNews, o presidente Lula afirmou que “religiões precisam se respeitar” quando questionado sobre o boato de uma ofensiva dos evangélicos contra a santa padroeira.
“Esse negócio de mexer com Nossa Senhora Aparecida não é aceitável. Já teve gente da religião evangélica que um dia chutou a imagem de Nossa Senhora Aparecida”, disse o presidente.
Ao receber a resposta de que o boato seria uma fake news desmentida pela própria GloboNews, Lula disse que “o dado concreto é que isso [a repercussão] está nas redes sociais”.
“Como já teve a experiência de terem chutado Nossa Senhora Aparecida, e já teve um projeto dizendo que ela não vai ser padroeira do Brasil, é o seguinte: ela vai ser porque o povo brasileiro quer e tem fé. Quero que todas as religiões respeitem religiões, cada um processa a sua fé como quiser, sem magoar os outros”, concluiu Lula.
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Confira abaixo a nota da CNBB na íntegra
“Diante de informações e manifestações que circulam nas redes sociais envolvendo o nome da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), esclarecemos:
A CNBB não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral.
A Conferência repudia a produção e a utilização de informações falsas, independentemente de sua origem ou de quem possam beneficiar ou prejudicar. A CNBB não integra qualquer estrutura político-partidária, de partido ou candidatura. Suas manifestações sobre as eleições decorrem de sua missão pastoral e de princípios públicos expressos em seus documentos, orientados pela dignidade humana, pelo bem comum, pela democracia e pela liberdade de consciência.
Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral. A mentira não se combate com outra mentira.
A CNBB reafirma seu compromisso com a verdade, o diálogo e a paz.”