Reportagem

YouTube celebra 100 mil inscritos conquistados pelo Amado Mundo

Com mais de metade dos brasileiros se informando por plataformas digitais, evento do YouTube em Brasília discute news creators e marca 1º ano do Amado Mundo

por Luiza Barufi
25/06/2026 às 20:01 · Atualizado há 4 meses
O jornalista Guilherme Amado, publisher do Amado Mundo, e a gerente de parcerias do YouTube, Catarina Alencastro (foto: Mateus Bonomi)

O modo como a população consome informação mudou drasticamente, e o jornalismo tradicional divide, cada vez mais, espaço com as dinâmicas digitais. Diante desse cenário, o YouTube consolidou seu papel não apenas como uma plataforma de vídeos, mas como o verdadeiro mapa de mídia e estratégia de comunicação do país. Essa foi a tônica do Civics Summit, evento anual realizado pela plataforma em Brasília, voltado para criadores de conteúdo, jornalistas, políticos e instituições públicas.

De acordo com dados apresentados no evento, mais de 120 milhões de brasileiros passam diariamente pelo YouTube para aprender, se entreter, buscar e produzir conteúdo. “É o epicentro da cultura”, definiu Eduardo Brandini, diretor de parcerias do YouTube. Para o executivo, no atual ecossistema de comunicação, “não tem como um produto não estar na gôndola do mercado mais consumido”.

Em pleno ano eleitoral, essa relevância ganha contornos mais estratégicos. O YouTube se tornou o epicentro para a educação e o entretenimento político. Com candidatos utilizando ativamente a plataforma para criar canais próprios e podcasts consolidando o ambiente como seu principal veículo de transmissão, o espaço se tornou o palco das principais conversas públicas.

“As pessoas virão para o YouTube escolher seus candidatos”, projetou Brandini, destacando o poder da plataforma em permitir uma conversa direta e sem intermediários com a audiência.

Amado Mundo: jornalismo de qualidade, primeiros 100 mil inscritos

Um exemplo prático que une o rigor do jornalismo profissional à linguagem da influência digital é o Amado Mundo. Celebrando seu aniversário de um ano, o canal foi homenageado durante o Civics Summit, recebendo a tradicional plaquinha comemorativa – no caso, de 100 mil inscritos, marca que o YouTube considera o primeiro grande marco de relevância na plataforma e que o veículo já superou, contando hoje com 128 mil seguidores.

“Ficamos felizes de sermos enxergados pelo YouTube como um exemplo de um canal de jornalismo que consegue misturar esse mundo da influência digital com o mundo do jornalismo, fazendo um jornalismo de qualidade que consegue crescer em audiência, engajar a comunidade e ser relevante para o mercado publicitário”, celebrou o jornalista Guilherme Amado.

Jornalista Guilherme Amado recebeu a placa de 100 mil inscritos no YouTube durante o Civics Summit, em Brasília (foto: Mateus Bonomi)

O fundador do portal destacou dados do painel para falar do nascimento e da expansão do projeto. “Tem um dado que foi trazido aqui de que 53% das pessoas se informam por meio das redes sociais. E isso mostra como é importante o Amado Mundo existir e ocupar esse lugar, criando uma oferta gratuita nas redes sociais de jornalismo de qualidade”, afirmou.

Hoje, a equipe conta com 53 colaboradores, em sua grande maioria, jornalistas, além de cineastas, editores de vídeo e profissionais de marketing. “Isso para a gente é motivo de orgulho, ver que estamos atendendo a uma necessidade de informação das pessoas na linguagem e na forma que elas querem receber.”

Da gôndola de vídeos à criação de comunidade

A mudança de comportamento do usuário exige também mudança de comportamento por parte de quem produz. Catarina Alencastro, gerente de parcerias do YouTube, relembrou que, em 2005, o lema da plataforma era ser “seu repositório de vídeos”. Mais de 20 anos depois, o cenário exige que o ecossistema pense e publique estritamente como criador.

No Civics Summit, o YouTube esmiuçou as boas práticas para atingir maiores audiências e construir comunidades sólidas — o que, no caso de políticos, se traduz diretamente em potencial de votos. De acordo com Alencastro, o segredo do sucesso passa por um ecossistema multiplataforma estruturado em três formatos que caíram no gosto do público: podcasts, vídeos longos e os shorts (vídeos curtos verticais).

Cada formato atrai um público diferente; os shorts, por exemplo, são a porta de entrada para os mais jovens. Para conectar essas pontas, a executiva aponta para a estratégia do conteúdo Made for YouTube: roteiros bem amarrados, edição dinâmica, miniaturas (thumbnails) com forte apelo visual (casando imagem e frase) e, acima de tudo, conteúdos que revelem o lado pessoal dos interlocutores, mostrando bastidores e gerando proximidade.

“A gente está aqui falando de jornalistas, de comentaristas, mas também de políticos e de instituições públicas, como a TV Senado, a TV Câmara e a TV Justiça”, explicou Catarina Alencastro. “É um conteúdo que fala de como a plataforma funciona, ferramentas de medição de audiência e as políticas de uso, que são o pilar de responsabilidade. O conteúdo Made for YouTube é pensado na audiência, no formato e na linguagem, para ser amigável para o público que já está no YouTube atrás de informação, aprendizado e entretenimento.”

A ascensão dos news creators e a crise de desconfiança

O consumo de notícias nas redes sociais caminha para um modelo direto na fonte. Rodrigo Vizeu, da área de parcerias de notícias do Google, apresentou um panorama desafiador: o público geral, liderado pela Geração Z na ponta da tendência, tem evitado o noticiário tradicional. Em meio a uma crise global de confiança na imprensa tradicional (onde grandes portais lutam para se manter acima de 50% de confiabilidade), o público passou a buscar conexões com pessoas físicas em detrimento de marcas corporativas, priorizando vídeos mais orgânicos e naturais.

Diante desse cenário, emergem os chamados news creators — profissionais que produzem e distribuem conteúdo jornalístico de forma individualizada em canais digitais. Vizeu ressaltou que esses criadores atuam de forma complementar, sem substituir os veículos tradicionais de comunicação. Dados de mercado indicam uma convivência harmônica: o público que consome os news creators registra um índice de satisfação de 17% e valoriza a proximidade da linguagem, sem que isso anule a relevância ou a admiração pela imprensa de referência. 

“O nosso investimento é trabalhar em parceria com os chamados news creators, que são jornalistas que estão trazendo notícias de forma individualizada dentro de redes sociais e plataformas como o YouTube, muito conectados com a forma que o público os tem buscado: desse jeito mais pessoal, próximo, com uma linguagem acessível, muitas vezes com leveza e humor”, explicou Vizeu.

Como suporte a esse movimento, o executivo destacou ações práticas do Google, como o laboratório Novas Vozes da Notícia, iniciativa de aceleração da qual o Amado Mundo faz parte. O projeto foca no treinamento de melhores práticas de YouTube e na diversificação de receita para garantir a sustentabilidade desses novos arranjos jornalísticos.

Em paralelo, a empresa reforçou seu compromisso com a segurança e o combate à desinformação no período eleitoral, utilizando ferramentas escaláveis como sistemas de detecção de semelhança para garantir a integridade dos conteúdos na plataforma de vídeos.

PLAYLISTS