‘Bill Clinton do Arkansas’: cientista político vê erro de marketing em discurso regional de Caiado
Em entrevista ao 'Matinal', o cientista político e professor Carlos Melo destacou ainda que o futuro da direita é incerto e que provavelmente só verá um herdeiro definido em 2030

Apesar de o governador Ronaldo Caiado (PSD) apresentar bons índices de aprovação em Goiás, com realizações reconhecidas em áreas como educação e segurança pública, apostar neste capital local para a corrida presidencial é um “erro de marketing”. A análise é do cientista político e professor Carlos Melo para o Matinal, programa do Amado Mundo, desta sexta-feira (10/7).
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No programa, Melo criticou essa aposta na gestão estadual como vitrine principal ao comparar a estratégia ao mito do “Bill Clinton do Arkansas” ou do “Fernando Collor de Alagoas”. Segundo o professor, acreditar que a história da própria “aldeia” vai encantar o restante do país é um equívoco, pois o forte regionalismo brasileiro exige que um candidato à presidência tenha um discurso nacional.
“Governadores de São Paulo não conseguiram fazer isso. Ou você fala para o Brasil ou você não fala com ninguém”, disse.
Direita foi ‘sequestrada’
O cientista político explicou que a candidatura de Caiado esbarra na complexa dinâmica da direita brasileira, que foi “sequestrada” e engolida pelo extremismo bolsonarista e pelo fisiologismo do Centrão nos últimos anos. Esse “sequestro” não permitiu, segundo o especialista, que a direita dialogasse e se criticasse durante o período em que ela governou.
A recente mudança de postura de Caiado, que passou a criticar Flávio Bolsonaro diretamente, é uma tentativa de capturar o eleitorado do campo antipetista. Caiado começou a dar declarações de que para derrotar o presidente Lula, a direita precisa de um candidato com maior capacidade de competição e menor rejeição no segundo turno.
Melo alerta, no entanto, que Caiado caminha sobre o “fio da navalha”, uma vez que precisa se viabilizar sem entrar em choque direto com a base bolsonarista, que ainda domina grande parte do espectro político que pode votar no governador de Goiás.
Michelle não é a sucessora direta do bolsonarismo
Ao debater sobre o futuro da direita, o professor abordou a disputa pelo espólio político de Jair Bolsonaro e descartou a viabilidade de Michelle Bolsonaro como herdeira natural no curto prazo.
O analista destacou que parecem existir contradições familiares “intransponíveis” entre a ex-primeira-dama e os três filhos mais velhos do ex-presidente, o que impede a coesão necessária para que o eleitorado mais fiel a Bolsonaro migre automaticamente para ela. Para Carlos Melo, o cenário de indefinição sobre quem vai liderar a direita só deverá encontrar uma resolução clara nas eleições de 2030, em um cenário pós-Lula e pós-Jair Bolsonaro.
“Não há uma coesão política familiar na família Bolsonaro. Os filhos do Jair nem chamam ela [Michelle] pelo sobrenome Bolsonaro, chamam ela de Michelle Firmo”, concluiu.
Assista ao Matinal desta sexta-feira (10/7) na íntegra: