Entrevista

Chico Alencar: ‘Governo precisa desistir de compor com o Centrão’

Deputado federal (PSOL-RJ) defende fim de concessões ao Congresso, aposta em mobilização popular e reação após derrota de indicação de Jorge Messias ao STF

04/05/2026 às 14:35 · Atualizado há 4 meses
Deputado Chico Alencar critica política de conciliamento do governo com centrão. (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Em entrevista ao Matinal desta segunda-feira (4), o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) argumentou que o governo precisa abandonar a “governabilidade de conciliação” e deixar de ceder às pressões da maioria do Congresso, sobretudo do Centrão.

“O governo precisa desistir de ficar compondo com o Centrão”, afirmou ele, para quem o governo deve parar de distribuir cargos e liberar emendas em busca de votos favoráveis no Legislativo. “É a pequena política, do toma lá dá cá, que sempre combatemos.”

Ele defendeu que, em vez de buscar a conciliação com o Centrão, o Executivo deveria recorrer à sociedade, às “velhas fórmulas”. E citou como exemplo a pauta do fim da escala 6×1, que tem forte apelo popular. “É jogar com a sociedade, é apostar mais no clamor sentido, sem demagogia, do que ficar acreditando em acordos no Congresso.”

A pauta do fim da escala 6×1 é uma das disputas nas quais o governo precisa de aprovação até o início do período eleitoral.

Recentemente, o governo enviou um projeto de lei em regime de urgência para acabar com a jornada de trabalho de seis dias consecutivos com apenas um de folga. Além do PL, já tramitam no Congresso duas PECs que tratam da redução da jornada. O deputado defendeu que, caso a PEC não seja aprovada — já que parte da extrema direita é contrária à medida —, o PL do governo poderá avançar.

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O ‘recado’ na rejeição da indicação de Messias

Segundo Alencar, um exemplo que mostra que essas tratativas do governo podem ser falhas foi a derrota na indicação de Lula do nome de Jorge Messias a uma vaga do Supremo Tribunal Federal — a última vez que uma indicação do Executivo havia sido rejeitada foi há 132 anos. Para ele, o episódio foi um “recado” do Congresso ao STF.

O deputado também afirmou que, ainda que seja desejo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, adiar a próxima indicação ao STF para depois das eleições de 2026, o Executivo deveria apresentar um nome mesmo assim como forma de se contrapor ao Legislativo. Ele acrescentou que Lula deveria priorizar a indicação de uma mulher, já que atualmente a única ministra da Corte é Cármen Lúcia.

“Agora é a hora do governo ter iniciativa, de indicar o nome ao Senado, que é a casa que avalia ou não o nome, e que vai assumir sua posição em relação a isso. Se engavetar, se não quiser examinar, vai ficar ruim para o lado das excelências lá do Senado. Então, acho que tem que ter iniciativa mesmo”, afirmou o deputado ao Amado Mundo. “E, se dentro de uma sociedade racista como a nossa, ele puder escolher uma mulher jurista, qualificada e negra, melhor ainda, pois tem uma simbologia essa indicação.”

Assista à entrevista completa no Matinal:

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