No DF, Celina tenta se descolar de Ibaneis, reclama de ‘caça à leoa’ e cogita faltar a próximos debates
Primeiro encontro entre os pré-candidatos ao GDF foi marcado por ataques a Celina Leão, com Ibaneis e caso Master no centro do debate

O primeiro debate entre os pré-candidatos ao Governo do Distrito Federal (GDF), promovido pela Band Brasília na noite deste domingo (9/8), deixou claro como será a campanha, ao menos no início, para as eleições de 2026. Líder nas pesquisas, na cadeira de governadora e carregando o escândalo do Banco Master no colo, Celina Leão (PP) foi o alvo principal da noite. Foi questionada principalmente, e de forma dura, sobre a situação do Banco de Brasília (BRB) e o desempenho da educação pública no Ideb.
O ex-governador José Roberto Arruda (PSD-DF); o ex-deputado distrital e ex-presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) Leandro Grass (PT-DF); o ex-interventor federal pós-8 de janeiro e ex-presidente da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) Ricardo Cappelli (PSB-DF); o advogado e ex-presidente da OAB-DF Kiko Caputo (Novo-DF); e a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB-DF), em maior ou menor grau, castigaram Celina com perguntas e ataques diretos ou indiretos.
Celina se manteve firme, mas a nítida tentativa de se distanciar de Ibaneis Rocha, de quem foi vice-governadora desde 2023 e a quem apoiava desde o primeiro mandato do emedebista à frente do Buriti, foi detonada repetidamente nas intervenções dos opositores. Na tentativa de mostrar que os rivais precisariam se esforçar muito se quisessem desequilibrá-la, saiu-se com essa: “Esse debate está muito bem ensaiado. Eu sou o alvo. É uma caça à leoa. Mas eu quero lembrar que, na selva, quem caça é a leoa”.
E seguiu, apostando em resgate pelo eleitorado feminino: “Minha história tem a presença de mulheres, eu transformei a vida de milhares. Aquela mulher que está em casa me escutando, ela conhece a minha história. Eu tenho nome, eu tenho biografia. Eu não sou apêndice de Ibaneis Rocha. Eu não sou sucessão, somente, de Ibaneis Rocha. Eu sou um novo governo, um novo projeto. Eu sou Celina Leão”, disse, durante embate com Paula Belmonte (PSDB).
Debate no DF: rivais de Celina apontam ‘vitimismo’
O ex-governador José Roberto Arruda (PSD) apontou a incoerência da tática de Celina Leão de tentar se descolar de Ibaneis: “Nunca um governador deu tanto espaço a um vice. Ela governou mais de 300 dias nesse período. Era a vice-governadora que mais assumiu o poder e defendia o ‘nosso governo’. No dia em que tomou posse, mudou de ideia. Isso é duvidar da inteligência das pessoas”.
Kiko Caputo (Novo) e Paula Belmonte (PSDB) seguiram a mesma linha. Caputo enfatizou que a governadora “participava ativamente de tudo”, enquanto Paula declarou que “não cabe vitimismo”: “A candidata Celina fez parte desse governo por 8 anos [contando a gestão anterior]. Não cabe agora ela falar que é vítima, porque fica numa situação ruim para nós, mulheres”.
Na coletiva, Celina insistiu em reclamar do clima de “todos contra mim” e defendeu sua trajetória: “Muitos falaram que eu não deveria vir, mas sou uma mulher de coragem. Tenho quatro mandatos e uma história no DF. Tenho quatro meses de governo e o meu governo já mostra a que veio, com 20 hospitais de dia e 200 mil consultas. Não aceito colocarem como se a gente fosse um outro governo, mas a vice-governadora tem limitações”.
A governadora ainda sinalizou que pode não comparecer aos próximos encontros: “Eu não sei se vou participar de outros debates. Até porque eles mentem muito e você não pode falar a verdade no tempo do debate”.

Tensão e acusação de ‘despreparo’ na crise do BRB
A situação financeira do BRB e as investigações desdobradas da operação envolvendo o Banco Master geraram embates ásperos. Candidatos de diferentes espectros exigiram transparência sobre o real tamanho do rombo na instituição pública.
Kiko Caputo defendeu que a saída para o banco passa por um “choque de honestidade” e abertura de dados: “Remédio para o BRB é transparência. O GDF é inimigo da transparência. Enquanto não soubermos qual o efetivo rombo, ninguém vai poder apresentar uma proposta séria”.
Irritada com os questionamentos, Celina Leão classificou as críticas como “uma aberração” e acusou os adversários de desconhecimento técnico: “Fico inconformada. Demonstra a total incapacidade de cuidar dessa cidade. Quando o candidato Arruda fala do documento de R$ 6,6 bilhões, ele não sabe nem o que é liquidez ou empréstimo. É outra burrice falar do balanço: o balanço do BRB não pode ser publicado antes de pegar o empréstimo, senão o banco é liquidado. São pessoas despreparadas”.
Ataques pessoais, ameaça de processo e embate de bastidores
O clima de rivalidade transbordou para acusações diretas e declarações duras na zona mista entre a governadora e Cappelli e entre ela e Arruda.
Celina acusou Ricardo Cappelli (PSB) de ter usado a estrutura da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) para autopromoção política, alegando queda no setor industrial. Além disso, alegou que seria o contato de Cappelli registrado no telefone do ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, não o dela.
Em resposta, já na coletiva, Cappelli anunciou que acionará a Justiça contra a governadora: “Ela vai ser processada amanhã de manhã para provar o que disse. É fake news. Sobre me chamar de ‘forasteiro’, acho que ela tem razão: sou forasteiro dessa política apodrecida do DF, onde ela, entra governo e sai governo, continua lá”. Cappelli também vinculou Celina ao bolsonarismo e a figuras políticas do Rio de Janeiro.
Já em relação a Arruda, Celina relembrou as prisões e condenações judiciais do ex-governador: “Arruda tem seis condenações, foi o primeiro governador preso do DF. É igual a um homem com medida protetiva que ficou anos impedido de chegar perto de Brasília”.
O pré-candidato do PSD afirmou ter resolvido seus reveses jurídicos: “Meus problemas com a Justiça, graças a Deus, eu os resolvi. Estou aqui firme, de consciência tranquila e pronto para discutir Brasília em alto nível. Há candidatos que apostam tudo em me tirar no tapetão por medo do voto”.
Por fim, Celina destacou também sua articulação com a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro (PL) e a deputada Bia Kicis (PL), ambas candidatas ao Senado em sua chapa, mencionando inclusive um momento de oração organizado antes de subir ao palco.