Caso Epstein: fotos de ex-príncipe Andrew podem dar fôlego à extrema-direita britânica
Novas revelações do escândalo sexual servem de combustível para ameaças de implosão do 'establishment' da política europeia, ainda que Trump seja frequentemente associado

A abertura dos documentos judiciais vinculados ao caso de Jeffrey Epstein removeu o véu de sigilo que protegia figuras da elite global, transformando o escândalo em uma crise institucional profunda que agora atinge a aristocracia europeia.
O agora ex-príncipe Andrew, oitavo na linha de sucessão ao trono britânico, teve envolvimento escancarado por registros visuais e documentos que o posicionam diretamente na dinâmica da rede do escândalo sexual. Nenhum escândalo sexual global, aliás, seria completo sem o envolvimento da Família Real inglesa; para manter a tradição, há sempre essas questões mais complicadas.
Uma potencial consequência política ocorre já na Inglaterra, onde há um crescimento muito forte da extrema-direita, com Nigel Farage surgindo como um virtual próximo primeiro-ministro.
Isso porque todo esse escândalo envolvendo a elite global — associada ao status quo e à chamada “turma de Davos” — acaba, de certa forma, beneficiando aqueles que possuem o discurso do outsider, que pregam o fim da ordem vigente e a refundação do sistema.
As fotos e a relação com a monarquia podem dar ainda mais fôlego à extrema-direita na Inglaterra, que já possui um potencial alto de ser governo nas próximas eleições. É inevitável que políticos do establishment inglês apareçam de certa forma envolvidos; não necessariamente por terem cometido crimes sexuais, mas por estarem presentes nas festas ou no circuito global em que Epstein circulava entre Paris, Londres e Nova York. Qualquer associação a esse grupo beneficia o discurso de destruição da ordem.
O curioso é que, entre as figuras públicas com cargos políticos, talvez ninguém tenha uma associação tão direta com Epstein quanto Trump, com registros de cartões de aniversário e viagens. No entanto, a extrema-direita vive em uma bolha encapsulada onde isso não aparece. Para eles, o foco serão as figuras do status quo. Não seria estranho vermos também nomes de políticos franceses da era passada, pois essa elite global é pequena, e a chance de um ex-primeiro-ministro ter estado em um evento com Epstein é muito grande.
Ainda que muitos não tenham feito nada de errado, a “foto da foto” reforça a narrativa da extrema-direita de que existe uma elite global corrupta que comanda o mundo. Portanto, essas revelações não vêm em um bom momento para as instituições tradicionais. São tempos muito estranhos.
Assista à íntegra da análise de Paulo Dalla Nora Macedo ao Matinal desta segunda (2/2):