Alek Maracajá

Inteligência de dados, análises sobre o comportamento digital e monitoramento de redes sociais

Inteligência de dados, análises sobre o comportamento digital e monitoramento de redes sociais

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Análise

Cão Orelha: tortura e morte de animal é um caso raro de repúdio coletivo nas redes sociais

Mais do que um episódio trágico, os dados mostram como a brutalidade em SC pode gerar uma resposta coletiva que ignora bolhas e algoritmos

28/01/2026 às 17:02 · Atualizado há 7 meses
Polícia Civil investiga morte do cão Orelha, na Praia Brava/SC.(Imagem: Reprodução)

Nas últimas 48 horas, grande parte das redes sociais foi impactada pela brutalidade do caso do cão Orelha, animal torturado e morto por três adolescentes em Praia Brava, Santa Catarina (SC).

Os dados analisados pela AtivaWeb são muito fortes: foram mais de dois milhões –chegando perto, até aqui, de três milhões de postagens. Em poucas horas, mais de 80% expressaram indignação com o caso, mostrando algo raro quando a gente trata de internet: não houve uma polarização. Houve, sim, um repúdio coletivo; mexeu realmente com o dia a dia e com o mercado pet, com famílias que adotam animais.

Cada rede social, no entanto, mostrou um comportamento distinto: no X, o algoritmo tratou o caso com uma leitura de acusação, transformando o episódio em um tribunal jurídico. Mas no Instagram e no TikTok a emoção foi extrema: o algoritmo injetou mais conteúdos emocionais e jornalísticos. Viraram um palco de espetáculo emocional das pessoas falando sobre essa questão emotiva.

O papel de quem influencia e o ‘efeito manada’

No estudo, mostramos também que influenciadores indignados tiveram quatro vezes mais compartilhamentos nas redes. Eles aceleram essa sede por justiça e acabam fabricando um “efeito manada”. O digital não cria o problema, mas ele pode virar uma arma contra a sociedade quando temos influenciadores amplificando o assunto para realmente ter um desfecho real e uma condenação.

O potencial da crueldade de um evento desse remete ao livro “Sociedade do espetáculo”. A crueldade vive dentro da nossa sociedade e, se não tivermos cuidado, isso vai ficar normal.

Na entrevista coletiva, a Polícia Civil não divulgou as imagens da investigação, o que é uma medida positiva. Visualizar cenas de violência extrema faz com que a gente se acostume e perca os filtros de repudiar o que causa ojeriza. A sociedade precisa refletir sobre o caminho que está tomando quando bate em uma criança, em uma mulher ou maltrata um animal. 

As redes sociais não são um tribunal, mas o algoritmo se alimenta e mede com justiça, tornando-se um palco para esse tipo de assunto.

Assista a íntegra do comentário de Alek Maracajá no Matinal desta quarta (28):

Os artigos publicados pelo Amado Mundo não refletem necessariamente a opinião do site. O objetivo ao publicá-los é estimular o necessário debate em qualquer democracia.
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