Reportagem

Campanha de Flávio diz que senador recebeu mais de 2 mil ameaças e reforça segurança

Flávio Bolsonaro passará a usar permanentemente colete à prova de balas, e equipe de segurança, aumentará número de armamentos e viaturas

por João Pedro Bitencourt
22/07/2026 às 14:10 · Atualizado há 3 meses
Flávio Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)

A comunicação da campanha de Flávio Bolsonaro informou que um levantamento da equipe de inteligência da Polícia do Senado Federal identificou mais de 2 mil conteúdos com ameaças desde o início de junho.

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Segundo o balanço, foram registradas 868 ameaças explícitas, 647 manifestações de incitação à violência, 640 referências codificadas e 133 conteúdos associados a planejamento ou oportunidade de ataques.

Diante do cenário, a equipe de segurança anunciou que ele vai usar permanentemente um colete à prova de balas, aumentar número de armamentos, equipamentos e viaturas e criar um centro de comando em Brasília com monitoramento 24 horas por dia.

”Quem acha que vai me intimidar está perdendo tempo. Não tenho medo de ameaças. Vou continuar nas ruas”, afirmou Flávio.

Senador recusou segurança da PF

Flávio recusou acompanhamento da Polícia Federal. Por isso, a segurança do pré-candidato é feita exclusivamente pela Polícia do Senado Federal. A assessoria esclareceu que a instituição realiza este trabalho há oito anos e assim permanecerá ao longo de 2026.

Em publicação feita no X no domingo (19/7), ele pediu que os servidores da PF que estariam à disposição dele fossem destinados para a investigação do escândalo do INSS. Ele também disse não confiar no diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.

“Se a desculpa oficial do chefe da PF para não investigar Lulinha – acusado de receber mensalinho do Careca do INSS – foi a falta de efetivo, quero dar a minha contribuição para que o dinheiro roubado no governo lula seja devolvido aos aposentados. Além disso, não confio no atual chefe da PF. Não vou correr o risco de ele próprio infiltrar pessoas na minha campanha”, escreveu, na ocasião.

Campanha de Flávio cita Lula

A campanha fez questão de citar a declaração Lula dessa segunda-feira (20/7), que voltou a dizer que “antigamente traidor era enforcado” em críticas à família Bolsonaro. A equipe jurídica acionou o STF contra o presidente após a primeira declaração do tipo, em junho.

“O crescimento das ocorrências observado pelo monitoramento após esses pronunciamentos reforça o alerta sobre o impacto concreto da retórica política no ambiente de segurança”, argumenta a assessoria.

A avaliação da equipe é de que repetição dessa linguagem em discursos públicos pode produzir o chamado “efeito apito de cachorro”, uma expressão que é utilizada na comunicação política para caracterizar mensagens que, embora possam ter uma interpretação geral, transmitem um sinal específico a determinados grupos.

Lula foi procurado por meio da Secom da Presidência para comentar sobre as declarações, mas ainda não se manifestou. O espaço segue aberto.

Lula volta a citar ‘enforcamento para traidores’

Lula afirmou durante a convenção nacional do PDT, em Brasília, que, no passado, quem traía a pátria era enforcado. A declaração ocorreu ao criticar brasileiros que, segundo ele, buscam autoridades dos Estados Unidos para defender sanções contra o Brasil. Flávio e Eduardo reuniram-se com o presidente americano pouco tempo antes de um novo tarifaço ser anunciado. Desde então, Lula tem culpado a família Bolsonaro.

Sem citar nomes, Lula afirmou que “há vários traidores” e também defendeu que seus adversários não retornem ao poder nas eleições de 2026.

Em junho, durante agenda oficial em Goiás, Lula já havia criticado integrantes da família Bolsonaro ao comentar a atuação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro junto ao governo dos Estados Unidos. Ao mencionar o tema, o presidente declarou:

“São traidores. Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores da pátria, que vão pedir intervenção de um país no nosso país? Pense…”

A declaração, no entanto, contém uma imprecisão histórica. Quem foi condenado à morte e executado por enforcamento após a Inconfidência Mineira foi Tiradentes, em 1792. Já Joaquim Silvério dos Reis, que denunciou o movimento às autoridades portuguesas, recebeu benefícios da Coroa Portuguesa e não foi executado.

Na ocasião, a campanha informou que apresentou uma denúncia ao STF pelas declarações. Segundo nota divulgada pela assessoria do parlamentar, Lula teria cometido os crimes de ameaça e incitação ao crime ao associar adversários políticos ao episódio histórico envolvendo Tiradentes.

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