Reportagem

Rebeca Ramagem repassa verba pública a irmã de Allan dos Santos e ex-assessores do marido

Autoexilada nos Estados Unidos, Rebeca Ramagem, candidata a deputada federal, destina mais de R$ 150 mil do Fundo Partidário para amigos do marido

25/09/2026 às 05:50 · Atualizado há 2 semanas
Rebeca Ramagem e Alexandre Ramagem. Reprodução, Instagram / FLÁVIO
Rebeca Ramagem e Alexandre Ramagem (Reprodução/Instagram)

Mesmo vivendo nos Estados Unidos e aguardando pedido de asilo político, a candidata a deputada federal Rebeca Ramagem (PL-RJ) tem movimentado recursos públicos na eleição brasileira de 2026. Uma investigação publicada pela Agência Pública e pelo Núcleo revelou que a campanha destinou mais de R$ 150 mil do Fundo Partidário a ex-assessores e associados de seu marido, o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem — condenado a 16 anos de prisão e foragido da Justiça brasileira por envolvimento nos atos golpistas de 8 de janeiro.

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Ramagem paga a familiares de aliados e empresas ligadas a desinformação

Ao todo, o Partido Liberal (PL) repassou R$ 1,5 milhão em verba pública para financiar a candidatura de Rebeca. Entre os repasses mapeados na plataforma DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), está o pagamento de R$ 10 mil a Aline Laudelina Lopes dos Santos Pires, contratada como coordenadora de equipe. Aline é irmã do blogueiro e influenciador Allan dos Santos, que também está foragido nos EUA. Além de coordenar a equipe de campanha no Brasil, Aline atua na cobertura presencial do canal Revista TimeLine, apresentado por Allan dos Santos e Alexandre Ramagem diretamente da Flórida.

Outra contratação de destaque envolve o pagamento de R$ 80 mil à Farol Comunicação Integrada Ltda. A empresa pertence à influenciadora Elisa Brom de Freitas, ex-secretária parlamentar de Ramagem na Câmara dos Deputados e investigada no TSE em 2022 por propagar desinformação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A empresa de Brom também presta serviços para a campanha de Carlos Bolsonaro (PL) ao Senado em Santa Catarina.

Estrutura remota e julgamento no TRE-RJ

A operação da campanha é realizada integralmente por auxiliares no Brasil, uma vez que Rebeca e Ramagem saíram clandestinamente do país no fim de 2025 e residem em uma casa de alto padrão na Flórida. Além de Elisa Brom e da irmã de Allan dos Santos, outros seis ex-funcionários do antigo gabinete de Ramagem receberam entre R$ 10 mil e R$ 15 mil cada para tocar as atividades eleitorais no território nacional.

A legalidade da candidatura de Rebeca Ramagem está em análise no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). Embora o relator do processo, o desembargador Paulo César Salomão Filho, tenha afirmado que deferir o registro seria um “tapa na cara no Poder Judiciário”, já há maioria formada de três votos a favor da manutenção da candidatura. O julgamento foi suspenso no dia 15 de setembro após pedido de vista da desembargadora Tathiana de Carvalho Costa.

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Nota de Crédito: esse texto é elaborado com base na reportagem investigativa original “Esposa de Ramagem usa verba de campanha para ex-assessora e irmã de Allan dos Santos”, escrita pela jornalista Ethel Rudnitzki e publicada em parceria pela Agência Pública e pelo portal Núcleo em 17 de setembro de 2026. A iniciativa A investigação faz parte do LIE (Laboratório de Investigação Eleitoral), uma coalizão jornalística que reúne a Agência Pública, o Amado Mundo, o Aos Fatos e o Núcleo Jornalismo. Para ler a apuração completa, acesse a matéria original diretamente no site do Núcleo ou da Pública.

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