Talita Fernandes

De Jerusalém, análises sobre política, mundo e Oriente Médio

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Análise

Eleições 2026: ida de Ronaldo Caiado para PSD e a disputa pelo legado de Bolsonaro

Para defender a pulverização do bolsonarismo, ele cita o caso do Chile em que houve várias candidaturas de direita no primeiro turno --o que é uma comparação infeliz

28/01/2026 às 19:05 · Atualizado há 8 meses

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciou nesta terça-feira (27) sua saída do União Brasil e a filiação ao PSD após não conseguir garantir o apoio da legenda anterior à sua candidatura à Presidência nas eleições de outubro. Caiado se coloca agora em um cenário complexo, disputando espaço com outros governadores de direita presidenciáveis, como Ratinho Júnior (PSD-PR) e Eduardo Leite (PSD-RS).

Papo Amado: Veja também a entrevista com o governador de Goiás

O goiano estava insatisfeito no União Brasil, sobretudo porque a coligação da qual faz parte o União Brasil já havia manifestado apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), que foi ungido pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso.

Sobre a justificativa de pulverizar o bolsonarismo, ele cita o caso do Chile em que houve várias candidaturas de direita no primeiro turno –o que é uma comparação infeliz. Isso porque o Chile não tem reeleição, o que gera um histórico de alternância de poder desde a redemocratização. É difícil, portanto, comparar as duas realidades, e não se sabe se essa jogada do Caiado é a melhor. Mas o que se sabe é que usar o caso do Chile em sua defesa com certeza não é.

Flávio Bolsonaro está longe de deter o favoritismo no campo bolsonarista

Sabe-se que não há um favoritismo nem uma decisão consolidada do campo bolsonarista em torno do nome de Flávio Bolsonaro. Ele está longe de unir a direita, e é por isso que Caiado adota a mesma linha do governador Romeu Zema (Novo-MG), que também não abriu mão da própria candidatura. Esse cenário de quem sairá candidato vai se amarrar aos prazos legais do TSE, ocorrendo na virada do primeiro para o segundo semestre.

Um dos principais desafios de Caiado reside em seu diferencial competitivo. A pauta da segurança pública e o discurso punitivista, frequentemente adotados como solução simplista pela direita, não é seu diferencial. Essa será, portanto, uma grande dificuldade ao disputar com esses outros possíveis presidenciáveis da direita os novos legados do bolsonarismo. 

Caiado tem um histórico de sempre ter sido um político de natureza estridente: ele tem esse tom de voz forte, com uma imagem também icônica, montado no cavalo, quase se colocando ali como um príncipe, em uma visão meio ruralista. Restar ver qual Caiado vem nessa candidatura – e se é que vem uma candidatura mesmo – e pra onde mais o PSD vai olhar.

Assista à análise completa de Talita no Matinal:

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