Cade quer evitar que delivery brasileiro replique guerra do mercado chinês
Passando a lupa no delivery, Cade mira punição a restaurantes, em meio a disputa judicial entre iFood, Keeta e 99Food

Neijuan, ou “involução”, numa tradução livre, é o nome que os chineses deram à guerra de preços tão selvagem que acaba destruindo o próprio mercado. Pois bem… o conceito virou discussão no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Documentos internos do Cade tratam o mercado chinês de delivery como um exemplo de más práticas globais. Existe o receio de que o Brasil siga a mesma trilha, o que coloca dois pontos na mira dos técnicos.
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Um dos alvos da atenção é a forma como os aplicativos passaram a punir restaurantes que anunciam em mais de uma plataforma. Quem faz isso simplesmente some das buscas, sem aviso e sem explicação.
O órgão também olha com desconfiança para as cozinhas fantasmas. O cliente acha que está pagando por uma marca conhecida, mas o prato muitas vezes é feito por terceiros, que topam cobrar menos para ficar com o pedido. Sobra pouco para quem cozinha, e a comida chega pior.
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O timing do Cade não é acaso. O delivery no Brasil vive uma guerra aberta nos tribunais e uma profusão de pedidos de abertura de inquéritos entre rivais. A chinesa Keeta processa a também chinesa 99Food por concorrência desleal, enquanto o iFood pediu ao órgão que investigue as práticas comerciais de ambas.