Reportagem

Burocracia atrasa avanços tecnológicos em serviços públicos, analisam autoridades

Presidente da Caixa defende mais organização estrutural para acelerar avanços tecnológicos em serviços públicos; empresa avalia que burocracia dificulta rapidez

por Thamires Almeida
28/05/2026 às 12:38 · Atualizado há 5 meses
Mesa sobre Govtech apontou burocracia como obstáculo para maior rapidez
Presidente da Caixa, Carlos Vieira; subsecretária de Transformação Digital e Cidades Inteligentes na Casa Civil da Prefeitura do Rio, Raquel Flexa; e CEO do G4F, Gerusa Falcão; mediação foi de Danilo Fariello (foto: Paulo Cerqueira)

O presidente da Caixa, Carlos Vieira, avalia que o uso de tecnologia para melhorar serviços públicos já não é mais uma questão de como isso pode ser feito, mas sim de quando será feito. Além disso, de acordo com o presidente do banco público, o problema maior não é a falta de recursos financeiros, mas uma ausência de organização estrutural para otimizar esses serviços. Um dos grandes problemas apontados foi a burocracia que ainda toma a esfera pública.

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A análise foi feita durante o Brasília Tech Summit, evento promovido pelo Amado Mundo nesta quinta-feira (28). Carlos Vieira apontou também, no painel “GovTech, fomento e coordenação regulatória”, que um dos principais problemas que existiam para essa implementação era a chamada integração de API, regras que permitem que diferentes sistemas de software troquem informações – obstáculo que hoje não existe mais. 

O painel discutiu o papel de agentes públicos, como a Caixa, no fomento à inovação e no apoio a startups, e como políticas públicas estão moldando o desenvolvimento tecnológico. A mediação foi de Danilo Fariello.

A facilidade do sistema de API, contou o presidente da Caixa, possibilitou, por exemplo, que a população do Rio Grande do Sul pudesse ter acesso a pagamentos mesmo após perda de todos os documentos oficiais nas enchentes ocorridas em 2024. “Não adianta ter tecnologia se ela não tiver benefício para o dia a dia da comunidade”, afirmou Vieira.  

Essa preocupação em disponibilizar avanços tecnológicos para auxiliar concretamente a vida da população também está presente no Rio de Janeiro, segundo Raquel Flexa, subsecretária de Transformação Digital e Cidades Inteligentes na Casa Civil da Prefeitura do Rio.

Para ela, um dos objetivos a ser implementado na cidade é o aviso antecipado de desastres ambientais e condições de clima para a sociedade mais vulnerável. “Se eu consigo antecipar em duas horas essa informação, as pessoas passam a ter menos perdas”, disse a subsecretária.  

Burocracia dificulta rapidez

Apesar das iniciativas para facilitar o cotidiano da população, Gerusa Falcão, CEO da G4F, empresa que presta serviço de tecnologia para instituições públicas, aponta que a burocracia brasileira ainda interfere no desempenho das empresas do ramo. O fato de serem necessárias licitações, que, pela natureza do dispositivo de controle, exigem um certo tempo até a aprovação, dificulta que serviços sejam prestados com mais rapidez. 

Outro ponto citado pela CEO é a fragmentação dos dados brasileiros, o que também atrapalha a entrega de tecnologia dentro dos serviços públicos. Ela defendeu que a integração de dados, portanto, deveria ser uma agenda prioritária para o governo brasileiro. “Brasil precisa investir em uma liderança que seja compartilhada entre setor público, instituições financeiras, universidades e iniciativa privada”, apregoou.

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