Assim como os EUA, Brasil também já teve suspensão por cartão vermelho anulada na Copa
Garrincha, destaque do Brasil na Copa do Mundo de 1962, disputou a final do torneio após ser expulso nas semifinais

O Brasil viveu uma situação semelhante à da polêmica anulação da suspensão por cartão vermelho do atacante Folarin Balogun, dos Estados Unidos, na Copa do Mundo de 2026. Há 64 anos, a seleção brasileira contou com o cancelamento da suspensão de seu principal jogador antes de uma decisão.
Garrincha foi expulso na partida contra o Chile, válida pelas semifinais da Copa do Mundo de 1962, em território chileno. Protagonista daquele Mundial após a lesão de Pelé, ele recebeu um cartão vermelho após agredir um dos adversários — Garrincha revidava após provocações e pontapés dos atletas da seleção do Chile.
Uma brecha na regra foi encontrada para que Garrincha pudesse jogar contra a Tchecoslováquia, na decisão da Copa. Na época, as suspensões por cartões vermelhos não eram automáticas. Eram realizados julgamentos após as partidas para que fossem determinadas as punições aplicadas a cada atleta expulso. E foi nesse julgamento que a delegação brasileira da época agiu.
Dirigentes brasileiros alegaram que a agressão de Garrincha não foi devidamente relatada na súmula da partida. Dessa forma, não havia um registro oficial relatando o ocorrido. Em votação, o brasileiro acabou absolvido com 5 votos contra 2, recebendo apenas uma advertência e podendo atuar na final da Copa do Mundo.
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Com Garrincha, o título
Na decisão, vitória brasileira por 3 a 1 sobre a Tchecoslováquia, com boa atuação de Garrincha. Amarildo, Zito e Vavá marcaram os gols na conquista do bicampeonato do Brasil na competição.
Garrincha ainda voltou a jogar duas partidas em mundiais, durante a Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, mas sem destaque — na ocasião, os brasileiros foram eliminados na primeira fase.
A expulsão de Balogun
O atacante Folarin Balogun jogou pelos Estados Unidos, contra a Bélgica, após receber um cartão vermelho no confronto com a Bósnia. O Comitê Disciplinar da Fifa suspendeu a punição que tiraria o destaque da equipe americana do confronto com a Bélgica, válido pelas oitavas de final da Copa.
Balogun recebeu um cartão vermelho do árbitro brasileiro Raphael Claus depois de pisar no tornozelo de um adversário, em lance revisado pelo VAR.
“Por força do Artigo 27 do FDC, a implementação da suspensão automática de jogos para Folarin Balogun é suspensa por um período probatório de um (1) ano”, diz o comunicado oficial da Fifa, que não entrou em detalhes sobre a decisão.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma ligação telefônica para Gianni Infantino, presidente da Fifa, para pedir a revogação da suspensão de Balogun, segundo informações divulgadas pelo jornal “The New York Times” – e depois confirmadas pelo próprio Trump.
Trump fez um agradecimento público à Fifa logo após a revogação ser anunciada, o que reforçou as críticas generalizada à interferência direta do governo local na competição.
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