Reportagem

Em único duelo em Copas, Brasil goleou Japão de Zico, mas torcida passou a exigir mudanças

Seleção brasileira contou com dois gols de Ronaldo para golear o Japão por 4 a 1 na Alemanha 2006. Reservas melhoraram o time, e torcida se encantou

por Weslley Neto
Publicado em 28/06/2026 às 15:00
Ronaldo marcou de cabeça em partida contra o Japão em 2006
Ronaldo marcou de cabeça em partida contra o Japão em 2006 (Divulgação/Fifa)

Brasil e Japão se enfrentam nesta segunda-feira (29), às 14h, em partida válida pela fase de dezesseis-avos de final da Copa do Mundo de 2026. Até hoje, as seleções se enfrentaram uma única vez em mundiais — e com goleada brasileira por 4 a 1 no Signal Iduna Park, tradicional estádio de Dortmund, na Alemanha.

Comandado pelo técnico Zico, ídolo dos brasileiros, os japoneses enfrentaram o Brasil durante a Copa do Mundo de 2006. Na época, o crescimento do futebol no país asiático já era muito comentado, após uma boa campanha no mundial de 2002 — em que o Japão foi anfitrião, em parceria com a Coreia do Sul, e eliminado nas oitavas de final pela Turquia.

A contratação de Zico como treinador deu sequência ao período de evolução dos japoneses. A equipe, composta por jogadores técnicos, era liderada por Hidetoshi Nakata, que atuava pelo Bolton, da Inglaterra, e por Shunsuke Nakamura, então camisa 10 do Celtic, da Escócia. O zagueiro Alex, do Urawa Reds na época, optou por se naturalizar e disputou o mundial como titular na defesa japonesa.

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Susto e talento brasileiro na virada

O Brasil venceu Croácia e Austrália nas primeiras duas rodadas do grupo F do mundial de 2006. O Japão perdeu para os australianos em sua estreia e empatou em 0 a 0 com os croatas. Com apenas um ponto, os japoneses precisavam de uma vitória contra o Brasil para seguirem sonhando com uma classificação.

A seleção brasileira, já classificada, optou por um time misto e tomou um susto logo na primeira etapa. Keiji Tamada, atacante do Nagoya Grampus na época, recebeu passe em profundidade e chutou forte para vencer o goleiro Dida. O Brasil ainda não se encontrava em campo, e uma vitória japonesa parecia possível.

As coisas começaram a mudar antes do intervalo. Ronaldinho Gaúcho encontrou Cicinho livre pela direita, e o lateral-direito fez um passe de cabeça para dentro da área. Ronaldo apareceu livre para completar, igualando o marcador. O lance irritou Zico, pois raramente o então atacante do Real Madrid fazia gols em cabeçadas.

Com grande partida dos reservas, o Brasil não teve dificuldades para virar o jogo na segunda etapa. Juninho Pernambucano, o lateral-esquerdo Gilberto e Ronaldo, mais uma vez, apareceram para estabelecer a goleada brasileira em Dortmund. O resultado deixou os japoneses na última posição do grupo, com 1 ponto. Brasileiros e australianos seguiram na competição.

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Os pedidos por mudanças

O excelente desempenho da equipe mista aumentou a pressão sobre o então técnico da equipe, Carlos Alberto Parreira. Mesmo com as vitórias diante de Croácia de Austrália, a seleção brasileira era frequentemente criticada em decorrência de seu desempenho. As entradas de Cicinho, Gilberto, Gilberto Silva, Juninho Pernambucano e Robinho nos lugares de Cafu, Roberto Carlos, Emerson, Zé Roberto e Adriano mudaram totalmente as características da equipe, trazendo uma “leveza” solicitada pelos torcedores.

As trocas não vieram contra Gana, adversária do Brasil nas oitavas de final na ocasião. Após a vitória por 3 a 0, com gols de Ronaldo, Adriano e Zé Roberto, a seleção de Parreira encarava a França de Thierry Henry e Zinedine Zidane nas quartas de final.

Para essa partida, o treinador optou pelas entradas de Gilberto Silva e Juninho Pernambucano, removendo Emerson e Adriano da equipe. A ideia era reforçar o meio-campo, mas não funcionou na prática: vitória dos franceses por 1 a 0, com gol de Henry, e eliminação para os brasileiros.

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