Rivalidade nórdica: por que os suecos adotaram o Brasil no jogo contra a Noruega na Copa?
Adversária do Brasil nas oitavas da Copa, Noruega tem rivalidade esportiva histórica com a Suécia — eliminados, os suecos viraram "Brasil desde criancinhas"

A Suécia foi eliminada pela França na fase de dezesseis-avos de final da Copa do Mundo de 2026, mas os torcedores da seleção continuam muito ligados no torneio. Basicamente, porque querem secar a Noruega, com quem mantêm uma rivalidade histórica e que, nas oitavas de final da competição, encara o Brasil neste domingo (5/7).
Ambos povos escandinavos, suecos e noruegueses disputam o chamado dérbi nórdico. Os suecos, que se acostumaram a normalmente terem mais destaque no futebol que os vizinhos, mantêm uma larga vantagem nos confrontos diretos, acumulando 59 vitórias contra 27 dos noruegueses, segundo dados divulgados pela fundação estatística Rec Sport Soccer.
A comemoração da Noruega nas partidas da Copa, porém, e o surgimento de Haaland, entre outros talentos que tornaram a equipe norueguesa superior à da Suécia atualmente, foram fatores vitais para levar a rivalidade a um novo auge.
Críticas à remada viking
Suecos mostraram irritação com a remada viking, realizada por jogadores e torcedores após cada vitória da Noruega na Copa. Nas comemorações norueguesas, o capitão da equipe, Martin Ødegaard, coordena toda a movimentação utilizando um tambor.
“Eu nunca vou fazer isso. Nós apenas suspiramos. Talvez principalmente por causa das equipes de TV, que escolhem mostrar isso toda vez. É muito parecido com o vulcão islandês, afinal. Mas cada um com o seu barco”, comentou Gustaf Lagerbielke, zagueiro da Suécia no mundial, em entrevista coletiva.
“Talvez esteja começando a ser usado demais. Parece que eles fazem isso toda vez que têm oportunidade. Mas funciona bem para eles”, disse o atacante da Suécia, Elliot Stroud, evidenciando o incômodo no país com a comemoração.
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Torcedores suecos criticaram a remada viking usando dois argumentos principais. A comemoração é apontada como uma cópia da viking “clap”, celebração apresentada ao mundo pela Islândia na Eurocopa de 2016 e na Copa do Mundo de 2018. Comentários apontaram a remada viking como “falta de criatividade” e uma maneira de reforçar um estereótipo sobre os nórdicos.
O outro fator apontado é que os dracares, navios de guerra da era viking, eram movidos, na maior parte do tempo, por velas, não por remos. O argumento foi apresentado por Emil Anners Lappen, que é norueguês e torcedor da seleção, em entrevista ao jornal local “Verdens Gang”.
“Acho que a remada foi uma ideia estúpida desde o começo. Nunca gostei”, opinou Emil.
Rivalidade esquenta nas Olimpíadas de Inverno
O principal contexto de rivalidade aparece em provas de esqui cross-country e salto de esqui, nas quais as duas nações frequentemente disputam o topo do pódio no cenário global. Os confrontos também são acompanhados de provocações entre atletas e acusações divulgadas pelos jornais locais.
Um dos episódios recentes mais famosos ocorreu durante a disputa dos Jogos Olímpícos de Inverno de Sóchi, na Rússia, em 2014. Após a equipe sueca de esqui ter um bom desempenho nas provas, a federação norueguesa os acusou de utilizarem um método de preparação envolvendo uma cera específica para a prática de esqui. A prática era considerada antiética e injusta, gerando atrito entre as confederações.
O esquiador norueguês Petter Northug, referência no esporte, foi alvo de provocações suecas durante toda a carreira. Quando o atleta não conseguiu bons resultados na Rússia em 2014, a mídia sueca e os atletas da delegação rival comemoraram publicamente.
Em 2018, quando os Jogos Olímpicos de Inverno foram disputados na Coreia do Sul, jornalistas suecos levaram um boneco de Northug em tamanho real, e o levantavam para celebrar quando a Noruega era eliminada de alguma disputa.
As disputas são acirradas nas práticas esportivas, mas nunca terminaram em confronto entre os atletas. Uma briga nas arquibancadas foi registrada apenas em 2024, quando torcedores entraram em conflito com a polícia durante a realização de uma prova feminina de esqui cross-country em Oslo, capital norueguesa. Frida Karlsson, sueca, venceu a disputa e foi vaiada pelos noruegueses.
Histórico de conflitos
A Noruega fez parte do território sueco entre 1814 e 1905. Após o final das guerras napoleônicas, a Dinamarca, então aliada dos franceses, cedeu o território da Noruega, que já iniciava movimentos separatistas, para a Suécia em ação oficializada no Tratado de Kiel.
Noruegueses não aceitaram fazer parte do território sueco e declararam independência, publicando uma constituição própria. A iniciativa irritou os suecos, que invadiram a Noruega e iniciaram uma guerra.
Após o conflito, ficou decidido que a Noruega poderia manter sua autonomia e constituição, mas ainda sob a coroa sueca. A independência da Noruega veio apenas 91 anos depois, em 1905, de maneira pacífica.
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É como Brasil x Argentina?
Atualmente, lideranças de Suécia e Noruega mantêm uma relação de proximidade e de cooperação econômica e política. Os dois países fazem parte do Conselho Nórdico, uma instituição de cooperação parlamentar criada em 1952, e que também inclui Dinamarca, Finlândia e Islândia.
Mesmo com os conflitos registrados no histórico desta rivalidade entre Noruega e Suécia, é possível comparar com o embate entre Brasil e Argentina — tradicional, mas atualmente restrito somente ao contexto esportivo. Por mais que brasileiros e argentinos não estejam totalmente alinhados em decorrência de suas ideologias políticas, o histórico é de boa relação econômica e diplomática.
A Dinamarca, que também tem uma intensa história viking e embates históricos diretos com os outros países da região nórdica, também alimenta uma rivalidade futebolística saudável com suecos e noruegueses. Porém, por se tratar de um país predominantemente plano e com invernos mais amenos, os dinamarqueses ficaram de fora das intensas disputas nos esportes de gelo.
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Brasil e Noruega se enfrentam no próximo domingo (5/7), às 17h, em Nova Jersey. A seleção vencedora do confronto garante vaga nas quartas de final da Copa do Mundo, e encara o ganhador do duelo entre México e Inglaterra.