Escócia nunca bateu sul-americano em Copas, e Brasil é seleção que mais encarou sem vencer
Escócia busca vaga inédita às oitavas de final contra o país que mais enfrentou, dentro e fora da América do Sul, sem nunca vencer

As horas antes do confronto entre Brasil e Escócia, nesta quarta-feira (24/6), pela última rodada do Grupo C, reabrem um capítulo incômodo para os escoceses: o país nunca venceu um adversário sul-americano em Copas do Mundo. Foram oito confrontos no total (dois empates e seis derrotas) diante de quatro seleções do continente: Brasil, Uruguai, Paraguai e Peru.
Mais curioso: a seleção que mais vezes encarou a Escócia sem nunca perder para ela é justamente o Brasil, dentro e fora da invicta América do Sul. Contando amistosos e outras competições, brasileiros e escoceses já se enfrentaram dez vezes na história, com oito vitórias do Brasil e dois empates.
Em Copas do Mundo, especificamente, são quatro confrontos antes do duelo de hoje – agora, o quinto é uma marca que só fica atrás da dos duelos entre Argentina e Holanda, que se enfrentaram seis vezes desde 1974.
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Um histórico de tropeços que atravessa décadas
A primeira pedra no caminho escocês veio ainda em 1954, e logo com uma goleada: 7 a 0 para o Uruguai, com hat-trick de Carlos Borges e dois gols de Míguez. O resultado integra a campanha do Uruguai que terminaria com o time eliminado apenas nas semifinais para a Hungria, mas que deixou uma marca difícil de apagar na memória escocesa.
Em 1958, na Suécia, mais uma derrota da Escócia, desta vez por 3 a 2, para o Paraguai — que, curiosamente, coincidiu com um marco histórico: o gol do escocês Robert Collins naquela partida foi o de número 500 na história das Copas do Mundo. Não foi suficiente para evitar a eliminação precoce dos escoceses, que terminaram a fase de grupos em 14º lugar entre as 16 seleções participantes.
Outro tropeço veio em 1978, na Argentina, justamente na campanha em que a Escócia mais perto chegou de superar a fase de grupos por desempenho — terminou eliminada apenas no saldo de gols. A Escócia perdeu por 3 a 1 para o Peru em 3 de junho daquele ano, em partida que ficou marcada pelos golaços do atacante peruano Teófilo Cubillas.
O resultado, somado a um empate por 1 a 1 com o Irã decidido por gol contra, condenou os escoceses a precisarem de uma vitória por três gols de diferença sobre a Holanda na rodada final — o que quase aconteceu, com a Escócia vencendo por 3 a 2, mas não o suficiente para avançar.
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Contra o Uruguai, o histórico soma dois confrontos. Além do 7 a 0 sofrido em 1954, as seleções voltaram a se cruzar em 1986, no México, em um dos episódios mais curiosos da história das Copas: o uruguaio José Batista foi expulso com menos de um minuto de jogo (ainda hoje o cartão vermelho mais rápido da história dos Mundiais), mas mesmo com um jogador a mais durante quase toda a partida, a Escócia não conseguiu sequer finalizar em direção ao gol adversário e ficou no empate sem gols, resultado que selou a eliminação escocesa na última colocação do grupo.
Brasil, o algoz mais frequente
Entre os adversários sul-americanos, nenhum encontrou a Escócia tantas vezes quanto o Brasil. O primeiro confronto aconteceu em 1974, na Alemanha Ocidental, e terminou em 0 a 0 — resultado que, à época, frustrou as pretensões brasileiras de avançar com folga na fase de grupos.
Mas a igualdade duraria pouco. Na Copa de 1982, na Espanha, o Brasil de Zico, Sócrates e Falcão atropelou por 4 a 1, em uma das exibições mais lembradas daquela geração — a Escócia chegou a abrir o placar com David Narey, mas viu o time de Telê Santana virar o jogo. Oito anos depois, na Itália, o placar foi mais discreto, mas o resultado se repetiu: 1 a 0 para a Seleção, com gol de Müller nos minutos finais, que carimbou a passagem brasileira à segunda fase.

O quarto encontro veio em 1998, na França, no jogo de abertura daquele Mundial: o Brasil venceu por 2 a 1, com gol de César Sampaio — o mais rápido de uma estreia brasileira em Copas, aos quatro minutos — e gol contra de Tom Boyd. John Collins descontou para os escoceses, de pênalti.
Para os mais atentos à estatística, é também o jogo que coincide com a última vez, antes da edição atual, em que a Escócia disputou uma Copa do Mundo — um jejum de 28 anos que só terminou com a classificação para 2026, decidida nos minutos finais contra a Dinamarca.
Agora, em 2026, chega-se ao quinto duelo entre as equipes — e, segundo o modelo estatístico desenvolvido pela Opta, a tendência segue desfavorável aos escoceses. Calculado a partir de 25 mil simulações, o supercomputador da Opta projeta o Brasil com 68,1% de chances de vitória, enquanto a Escócia tem apenas 12,9% de possibilidade de vencer — o empate ficou avaliado em 19%.
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Do retrospecto geral de dez jogos contra a Seleção Brasileira, seis aconteceram fora de Copas do Mundo — todos amistosos. O primeiro deles foi disputado em 25 de junho de 1966, em Glasgow, e terminou empatado por 1 a 1, com gol de Servílio. O mais recente saiu em 27 de março de 2011, no Emirates Stadium, em Londres: vitória brasileira por 2 a 0, com dois gols de Neymar.
O panorama da Copa antes do confronto decisivo
Garantida, pelo menos, na terceira colocação do grupo, a seleção de Steve Clarke chega para o duelo de hoje em busca de um resultado histórico: um simples ponto seria suficiente para confirmar, por vias matemáticas, a primeira classificação às oitavas de final da história escocesa, e até mesmo uma derrota por placar mínimo poderia bastar.
No retrospecto direto, o Brasil nunca perdeu para a Escócia em Copas do Mundo desde o primeiro confronto, em 1974, e mantém a invencibilidade também contando os jogos disputados fora do torneio.

Do lado brasileiro, a campanha no Grupo C também não foi de gala: depois de um empate por 1 a 1 com Marrocos, a seleção bateu o Haiti por 3 a 0, resultado que, com dois gols de Matheus Cunha e um de Vinícius Júnior, levou o Brasil a superar a Alemanha (de novo) como maior artilheiro da história das Copas do Mundo, agora com 241 gols.
Mesmo correndo por fora na artilharia geral, a Escócia chega ao duelo com a maior experiência combinada de sua história: a equipe titular que enfrentou o Marrocos somava 609 jogos pela seleção, a marca mais alta já registrada por uma escalação escocesa. No comando técnico, Steve Clarke valoriza a experiência tanto quanto Carlo Ancelotti — o time brasileiro que entrou em campo contra o Haiti, com média de 30 anos e 190 dias, foi o mais velho do Brasil em uma Copa desde a final de 1962.
Resta saber se a longa fila de tropeços escoceses contra seleções sul-americanas, que já dura 72 anos, desde aquele 7 a 0 do Uruguai em 1954, vai ganhar mais um capítulo nesta quarta-feira, ou se finalmente o time de Clarke vai escrever a primeira página vitoriosa dessa história.
Nós, honestamente, esperamos que não.