Reportagem

Bafta: premiação britânica pode decidir o destino do Brasil no Oscar

'Se a gente ganha o Bafta, fica difícil não ganhar o Oscar', analisa a jornalista e crítica de cinema Isabella Faria

Publicado em 22/02/2026 às 06:02
Prêmios BAFTA, entregues pela Academia Britânica de Artes Cinematográficas e Televisivas. Crédito: Divulgação/BAFTA

Considerado o maior “termômetro” para o Oscar na maior parte das categorias, o prêmio Bafta acontece neste domingo (22), a partir das 16h (horário de Brasília) com o Brasil em uma posição histórica.

Para a crítica de cinema e roteirista Isabella Faria, a premiação, conhecida como o “Oscar britânico”, não é apenas uma honraria europeia, mas o maios indicativo de sucesso na premiação americana devido à semelhança entre o perfil dos votantes.

E a premiação não apenas deve selar o destino do filme “O agente secreto”, indicado em duas categorias (Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Roteiro Original). O Brasil também se faz presente na categoria de Melhor Documentário, com o longa “Apocalipse nos trópicos”, de Petra Costa, ganhando força através de uma parceria com a produtora de Brad Pitt; e com a indicação de Adolpho Veloso à categoria de Melhor Fotografia por “Sonhos de trem”.

Foto de “O agente secreto”, com Wagner Moura (Divulgação)

Um troféu em Londres tornará ‘difícil’ não ganhar o Oscar

O documentário “Apocalipse nos trópicos”, de Petra Costa, chega ao Bafta cercado de expectativas após uma ausência na lista final de indicados ao Oscar. Para Isabella Faria, a indicação britânica funciona como uma “correção de erro” da Academia americana. A força do filme, segundo a crítica, reside em sua capacidade de dialogar com o público global sem perder a essência da política brasileira.

“A Petra Costa é uma cineasta muito diferenciada, muito boa e muito corajosa. Ela acessou lugares da política brasileira que pessoa nenhuma tem acesso”, destaca.

Um detalhe fundamental na carreira do filme é a influência da Plan B Entertainment, produtora de Brad Pitt. Faria observa que o roteiro foi moldado estrategicamente para atrair a atenção do mundo: “Quando assisti, falei: é o dedo do Brad Pitt tentando conquistar o público que não é brasileiro. Tem um aceno ali ao mundo, aos Estados Unidos, quando mostram um pastor evangélico americano, e também à Inglaterra. Acredito que a gente tenha mais chances justamente por ser um documentário que abrange muita coisa.”

Além de Petra Costa, o Brasil vive um momento de brilho técnico com Adolpho Veloso: “Precisamos prestar muita atenção no Adolpho, ele está vindo muito forte. Se a gente ganha o Bafta, é muito difícil não ganhar o Oscar”, reforça a roteirista.

Assista à entrevista de Isabella Faria ao Matinal:


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