Bolsa de Tóquio perde R$ 1 trilhão e penaliza setor automotivo e big techs
Recuo no mercado de Tóquio foi puxado por valorização do iene, alta do petróleo e pelos indícios de contração na economia norte-americana

A Bolsa de Tóquio sofreu um abalo na sessão de negócios desta quarta-feira, 2 de setembro. O índice Nikkei 225, indicador do mercado japonês, recuou 2,85% e fechou o dia aos 64.325,64 pontos, o que representa uma perda nominal de 1.889,70 pontos. O tombo apagou ¥ 31,8 trilhões em valor de mercado, montante equivalente a US$ 202 bilhões, ou aproximadamente R$ 1,11 trilhão. O resultado interrompeu uma trajetória de estabilidade e espalhou perdas pelas praças financeiras asiáticas.
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O vetor interno por trás desse recuo foi a sinalização das autoridades japonesas em defesa da moeda local. Em uma coletiva de imprensa realizada na segunda-feira, 31, após a cúpula de líderes financeiros do G20, a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, defendeu que intervenções coordenadas no mercado são essenciais para sustentar a estabilidade global.
A retórica pró-iene disparou alertas nos terminais de negociação, o que levou a uma valorização da moeda japonesa frente ao dólar e a outros pares internacionais.
A percepção de risco doméstico por parte do mercado foi agravada após o presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, afirmar que os indicadores macroeconômicos do país seguem alinhados com as projeções da autoridade monetária. Ueda reforçou, durante um discurso nesta semana, que o comitê continua inclinado a aplicar aumentos na taxa básica de juros. Isso gerou um movimento vendedor, situação em que os investidores se desfazem de suas ações em massa.
Como reflexo da postura, o rendimento dos títulos públicos de 10 anos do governo japonês disparou para a casa dos 3,02%, atingindo as máximas em três décadas e encarecendo o custo de capital no país, o que significa que ficou mais caro conseguir crédito no país.
No front internacional, a volatilidade foi ampliada pela escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Uma onda de ataques militares recíprocos entre os Estados Unidos e o Irã reacendeu os temores globais de desabastecimento de energia e provocou o fechamento parcial do Estreito de Hormuz, um canal de navegação.
Com o petróleo bruto Brent subindo para patamares superiores a US$ 95 por barril, o que corresponde a cerca de R$ 522,50, o Japão se viu pressionado. Segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE), o país tem escassez em recursos naturais e é dependente da importação de combustíveis fósseis.
O ambiente macroeconômico externo também foi impactado pela deterioração de dados industriais nos Estados Unidos, fato que alimentou preocupações sobre a sustentabilidade do crescimento americano.
Como os Estados Unidos são um dos maiores parceiros comerciais e destino de exportações do mercado oriental, uma desaceleração no país norte-americano afeta as margens da economia do Japão de forma direta. O Índice de Gerentes de Compras do setor de manufatura veio abaixo do esperado. O dado sinalizou contração e deixou os investidores globais em estado de alerta às vésperas da divulgação do relatório oficial de empregos de Washington.
Setorialmente, as companhias japonesas de tecnologia e as montadoras de veículos automotivos com sede no Japão registraram as maiores baixas no pregão. O iene de maior valor encarece os produtos japoneses no exterior e reduz a margem de lucro dessas companhias na conversão de receitas internacionais.
Como resultado, os papéis da Toyota Motor recuaram 3,4% e os da Honda Motor cederam 2,4%, enquanto as ações da Mitsubishi Motors tiveram uma queda de 6,4%.
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No setor tecnológico, o conglomerado de investimentos SoftBank Group, peça no financiamento de ecossistemas de inteligência artificial, recuou 6,3% nas suas ações.