Bets mergulham em grave crise de imagem: nas redes, 81,4% repudiam publicidade crescente
Avaliação do setor de bets desaba na Copa, embalada por preocupações com saúde mental, endividamento da população e responsabilidade social

A Copa do Mundo de 2026 virou cenário para a maior crise de imagem do setor de apostas esportivas, conhecidas popularmente como “bets”, desde a sua regulamentação no Brasil. Um levantamento da Ativaweb DataLab, que monitorou as redes sociais entre os dias 11 e 24 de junho, revelou que, das aproximadamente 67,3 milhões de menções públicas sobre o tema, 81,4% carregavam um tom negativo. As avaliações neutras somaram 11%, enquanto apenas 7,6% das manifestações foram positivas.
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A discussão na internet ultrapassou o limite das quatro linhas e passou a englobar preocupações com a saúde mental, o endividamento da população, a responsabilidade social e a influência digital. A pesquisa aponta que os internautas têm comparado a atual publicidade das casas de apostas com as antigas propagandas de cigarro.
Expressões como “bet mata”, “deveria ser proibido como cigarro” e “o futebol virou cassino” apareceram de forma recorrente ao longo do estudo. A população também tem clamado por restrições mais severas, temendo o impacto direto desse mercado sobre os jovens e as famílias.
CazéTV virou o centro do debate das bets
Durante as transmissões do Mundial, o canal CazéTV se tornou o principal símbolo desse debate, e é alvo de grande parte das críticas, devido ao alto volume de patrocinadores do setor em suas lives. No entanto, os próprios usuários nas redes ressaltaram que a publicidade das “bets” não é exclusividade do canal, estando onipresente em todo o ecossistema do futebol, o que inclui emissoras de TV tradicionais, clubes e campeonatos.
“O que os números mostram é que a crise não está concentrada em uma plataforma específica. A sociedade começou a questionar o próprio modelo de expansão das apostas esportivas”, destaca o diretor da Ativaweb DataLab, Alek Maracajá.
A análise sugere que a pressão reputacional sobre as empresas de apostas não deve diminuir. O debate em torno dos limites para a publicidade já começou a mobilizar autoridades e está em avanço para o Congresso Nacional, o Ministério Público e os órgãos de defesa do consumidor.