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Barraco no STF desbanca ‘A Fazenda 18’ quando o assunto é entretenimento grotesco

Enquanto o STF batia recorde de audiência com julgamento de Moraes e se tornava a maior live do mundo naquela hora, 'A Fazenda 18' patinava na estreia

Publicado em 20/09/2026 às 05:52
Sessão plenária extraordinária do STF nesta terça-feira, 16/9 (Rosinei Coutinho/STF)
Sessão plenária extraordinária do STF nesta terça-feira, 15/9 (Rosinei Coutinho/STF)

Troca de farpas, gritos, dedos em riste, acusações e intrigas. Ingredientes fundamentais de um reality show, certo? Sim, mas quem serviu esses itens na última semana não foram os peões e peoas da 18ª temporada de “A Fazenda”, da TV Record, caros leitores. Pra quem curte barraco na TV, o STF entregou entretenimento da melhor qualidade.

Na terça-feira, 15/9, o plenário virou palco de quase oito horas de embates para decidir se o ministro Alexandre de Moraes deve ou não ser investigado. O ministro Gilmar Mendes criticou a condução do inquérito por André Mendonça, classificando-a como enviesada, e chamou de “vexame” a decisão de Mendonça de afastar Andrei Rodrigues da Polícia Federal. Flávio Dino subiu o tom contra o presidente da Corte, Edson Fachin: “Se nós aceitarmos a avocatória, presidente, nós estaremos abrindo uma avenida de autoritarismo, de despotismo, de tirania nos tribunais que ninguém vai controlar”, disparou, fazendo questão de dizer que não havia nada de pessoal ali.

Teve ainda climão de corredor: Moraes evitou qualquer contato visual com Mendonça durante toda a sessão, mesmo ao acusá-lo, sem se dirigir diretamente a ele, de estar a serviço de um grupo político que planejou um golpe no país. Climão pra Jogo da Discórdia de BBB nenhum botar defeito…

Leia também: Com pedido de vista e 4 x 3 para julgar ações separadas, STF tem incerteza sobre próximos passos

STF bomba mais que streamer

E o público? Devorou cada segundo. A CNN Brasil bateu recorde de audiência no YouTube na terça-feira, com 467 mil pessoas acompanhando a transmissão ao mesmo tempo no pico, o que fez o canal abocanhar o título de maior live do mundo na plataforma naquele momento, à frente de qualquer streamer, jogo ou show.

Para efeito de comparação, a sessão que condenou Jair Bolsonaro, em setembro de 2025, havia somado 274 mil acessos, mas fragmentados ao longo de duas semanas de julgamento. Ou seja, o Supremo Barraco desta terça superou, num dia só, o que a condenação do ex-presidente levou quinze dias para juntar.

Enquanto isso, na Record, a nova temporada do reality rural patinava. É verdade que a estreia, na segunda (14), teve seus méritos: média de 5,6 pontos em São Paulo, pico de 6,6 e 13,2% de share, crescimento de quase 35% na faixa. Só que, olhando para trás, o resultado já nasceu capenga: A Fazenda 17 havia estreado com 5,9 pontos em 2025, o que revela que a edição atual perdeu cerca de 8,5% na comparação direta, configurando a segunda pior abertura de temporada da história do programa.

E o buraco só cresceu: na segunda noite, o reality caiu para 3,55 pontos no painel nacional, terminou em terceiro lugar, atrás inclusive do SBT. Nos dias seguintes, sofreu para chegar à marca dos 4 pontos de audiência.

Tem um dado, escondido no meio das notas de audiência da estreia, que resume o recado do público: no horário, os serviços de streaming somaram 12,9 pontos, superando o próprio share de 12% conquistado por A Fazenda. Isto é, mais gente estava vendo Netflix, YouTube ou qualquer coisa fora da TV linear do que assistindo às primeiras intrigas do novo elenco de peões.

Fica a provocação: o problema é do formato, batido depois de 17 edições, sem fôlego pra surpreender quem já viu tudo; ou é a fuga geral do público pro streaming, que corre solta em qualquer emissora, seja qual for a atração? Talvez as duas coisas. Mas o que ficou nítido nesses últimos dias é que, quando o assunto é confusão de verdade, atualmente ninguém supera a política. O barraco do Supremo ofuscou, com facilidade, a estreia de A Fazenda 18. Inclusive pelos valores em disputa.

Enquanto a competição da Record oferece a quantia de R$ 2 milhões ao vencedor, em Brasília, ao que parece, teve gente embolsando dezenas de vezes mais. E se a emissora de Edir Macedo precisou recorrer a patrocinadores como Mc Donalds, BYD e Dark Lab para bancar a competição rural, o reality situado no STF precisou apenas de um Banco Master para financiar o deprimente espetáculo a que temos assistido…

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