Banco Master: de instituição ‘fora da curva’ a graves suspeitas de fraudes
Instituição que prometeu chacoalhar o sistema financeiro terminou com suspeitas de fraude e conexões políticas

Durante anos, o Banco Master vendeu a imagem de uma história de sucesso improvável no sistema financeiro brasileiro. Cresceu rápido, prometeu rentabilidade acima da média e se apresentou como um banco que “incomodava o sistema”.
Mas a trajetória que parecia astronômica virou, aos poucos, um caminho para o inferno, e hoje expõe um enredo que mistura fragilidades regulatórias, conexões políticas e suspeitas de fraudes bilionárias.
A ascensão começa em 2017, quando Daniel Vorcaro assume o controle do então Banco Máxima, instituição em crise. Rebatizado de “Master”, o novo banco adota uma estratégia agressiva: expansão acelerada, forte atuação em crédito consignado, mercado de capitais e câmbio, além da venda intensa de CDBs (Certificado de Depósito Bancário) com rendimentos elevados.
Em pouco tempo, o Master consolida sua marca e passa a ostentar lucros recordes em 2023 e 2024, alimentando a narrativa de sucesso e atraindo milhares de investidores.
Suspeitas terminaram com Vorcaro preso e Master em liquidação
O Banco Central começou a perceber que a conta não fechava. Em dezembro de 2024, exigiu o fim de operações consideradas arriscadas e cobrou um aporte de R$ 2 bilhões para reforçar o capital do banco.
Pouco depois, vieram denúncias de cobranças indevidas no crédito consignado, o bloqueio de novas operações pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e indícios de que fundos ligados ao crime organizado inflaram artificialmente os ativos da instituição em bilhões de reais.
A tentativa de venda de 58% do banco ao BRB, anunciada em março de 2025, passou a ser vista pelo regulador como parte do problema, e não da solução.
O Banco Central vetou a operação e, em novembro, a crise chegou ao ponto de ruptura: Vorcaro foi preso pela Polícia Federal, e o Master entrou em liquidação extrajudicial, sob suspeita de um esquema de emissão de títulos falsos que pode chegar a R$ 12 bilhões. O Fundo Garantidor de Créditos precisou entrar em cena para ressarcir investidores, processo que ainda avança lentamente.
Queda do Master testa credibilidade do sistema financeiro
O caso passou a pressionar instituições centrais da República. Banco Central, Polícia Federal e Ministério Público se tornaram alvos de ataques e questionamentos, enquanto decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) e movimentos no TCU (Tribunal de Contas da União) levantaram dúvidas sobre tentativas de interferência ou proteção indevida.
O que era um banco “fora da curva” se transformou em um teste de estresse para a credibilidade do sistema financeiro e para a capacidade do Estado de investigar sem constrangimentos.
A história do Banco Master deixa uma lição incômoda: crescimento acelerado, quando sustentado por opacidade e relações promíscuas com o poder, costuma cobrar seu preço. E, neste caso, a fatura não é apenas financeira, é institucional.
Assista ao comentário completo de Beatriz Bulla no Matinal desta quinta-feira (15):