Assessor de Trump para o Brasil esteve com Olavo de Carvalho e Bannon no governo Bolsonaro
Em janeiro de 2019, dias depois da posse de Bolsonaro, Bannon reuniu o seleto grupo em Washington para ouvir de Olavo os rumos da agenda conservadora brasileira

O interesse de Darren Beattie, conselheiro de Donald Trump, pelo conservadorismo brasileiro vem desde o primeiro governo de Jair Bolsonaro. Em janeiro de 2019, poucos dias depois da posse de Bolsonaro como presidente, Beattie foi um dos três convidados de Steve Bannon para um jantar oferecido em Washington ao filósofo Olavo de Carvalho, morto 2022 em decorrência da Covid-19.
O seleto grupo escolhido por Bannon queria ouvir de Olavo, tido na época como uma espécie de guru intelectual do bolsonarismo, sobre as raízes de seu pensamento, sobre a influência da China no Brasil e a agenda conservadora brasileira.
À época, Beattie trabalhava com redação de discursos para políticos conservadores — incluindo o próprio Trump. O americano mais ouviu do que falou no jantar, que parecia uma entrevista de Steve Bannon com Olavo de Carvalho. Bannon, que ainda era um dos principais agitadores da extrema-direita nos Estados Unidos, estava extremamente entusiasmado com o cenário no Brasil, e com Eduardo Bolsonaro.
A noite foi dominada pelo diálogo entre Bannon e Olavo. No encontro, Bannon assumiu um papel inquisitivo: queria entender a visão de mundo do pensador e a influência da China no Brasil. Outro ponto de preocupação manifestado por Bannon à época foi o lançamento da CNN Brasil — ele questionava se o canal seguiria a linha editorial progressista da matriz americana.
O encontro refletia a articulação de Darren Beattie com a direita conservadora brasileira, representada ali por Olavo de Carvalho e por Gerald Brandt. Brandt, cidadão brasileiro-americano, atuou com afinco na época como o principal articulador entre o governo Trump e os movimentos conservadores no Brasil.
Assista à íntegra do comentário de Beatriz Bulla no Matinal desta terça (17):