Reportagem

A finalíssima que nunca aconteceu: entenda polêmica entre seleções de Argentina e Espanha

Duelo entre os campeões da Copa América e da Eurocopa estava previsto para março, mas acabou cancelado em decorrência de conflito

por Weslley Neto
18/07/2026 às 06:00 · Atualizado há 3 semanas
Argentina venceu Egito de virada
Messi garantiu a vitória da Argentina contra a Argélia por 3 a 0 (JUAN MABROMATA / AFP)

Argentina e Espanha se enfrentam na final da Copa do Mundo de 2026 neste domingo (19), às 16h, em Nova Jersey. Por coincidência, as mesmas equipes disputariam uma outra decisão no primeiro semestre deste ano, mas o projeto nunca saiu do papel.

Por serem as atuais campeãs da Eurocopa e da Copa América, as seleções se enfrentariam na Finalíssima, um torneio pensado pela Uefa e pela Conmebol para promover um confronto entre as equipes vencedoras das duas competições continentais nos ciclos que antecedem a Copa do Mundo.

Negociação nos bastidores

A primeira edição da Finalíssima aconteceu em junho de 2022. Na época, a Argentina, campeã da Copa América disputada no Brasil em 2021, venceu por 3 a 0 a Itália, que conquistou o título da Eurocopa em 2021, em Wembley, tradicional estádio na Inglaterra. Os argentinos confirmaram o título da Copa do Mundo seis meses depois, no Catar, enquanto os italianos nem sequer disputaram o Mundial.

A Finalíssima entre Argentina e Espanha estava marcada para o dia 27 de março deste ano no estádio Lusail, no Catar. Porém, a partida precisou ser remanejada em decorrência dos conflitos entre Irã e Estados Unidos no Oriente Médio.

O adiamento rendeu problemas entre a Uefa e a AFA, Federação de Futebol da Argentina, que não encontraram uma nova data para promover o confronto. Segundo informações divulgadas pelo site Globo Esporte, a entidade europeia ofereceu diversas opções aos argentinos para manter a realização do confronto, mas nenhuma data foi aceita pela AFA.

Em nota oficial, a Uefa informou que tentou manter a realização do jogo para a mesma data prevista, mas no Santiago Bernabéu, estádio do Real Madrid. A ideia era dividir as arquibancadas entre os torcedores das duas seleções, apesar de o evento ser realizado na Espanha.

Outras tentativas propostas foram a realização de dois jogos, um na Argentina e outro na Espanha, nos dias 27 e 31 de março, ou manter um jogo único apenas na primeira data, com a escolha de um outro estádio neutro. A Argentina recusou as propostas, afirmando que só poderia jogar no dia 31 de março.

A Argentina apresentou uma contraproposta, com uma partida única, mas disputada somente após a Copa do Mundo de 2026. A Uefa recusou a ideia e optou por encerrar a negociação, cancelando a Finalíssima. Por ironia do destino, as equipes se encontrarão em uma melhor ocasião, atraindo a atenção de todo o mundo.

A TyC Sports, emissora argentina, divulgou que a AFA ainda tentou manter a final entre as seleções em partida única no Estádio Olímpico de Roma, na Itália, para o dia 31 de março. Essa oferta também não teria sido aceita pelos europeus.

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Posicionamento da Conmebol

Diante do impasse, a Confederação Sul-americana de Futebol também se manifestou publicamente. A entidade divulgou uma nota oficial destacando que houve uma tentativa de manter o jogo em um campo neutro, mas não existiu um acordo entre as partes.

Segundo o posicionamento da Conmebol, existiu uma “forte insistência” da Uefa para que o jogo fosse disputado em Madrid. A nota oficial da Uefa aponta que a realização do jogo na capital espanhola “teria proporcionado um cenário de nível internacional, à altura de um evento tão prestigioso”, mas não citou uma insistência por parte da entidade.

Nos bastidores, dirigentes de Uefa e Conmebol sempre atribuíram ao outro lado a responsabilidade pelo fracasso das negociações, conforme detalhes divulgados pela emissora CNN. Na prática, as duas partes não estavam interessadas em promover o confronto, pois não queriam lidar com um possível resultado negativo durante a preparação para a Copa do Mundo de 2026.

Enquanto a AFA era investigada por suposta evasão fiscal, o presidente da entidade, Claudio Tapia, chegou a se manifestar publicamente sobre a Finalíssima, em março deste ano. “A Espanha quer que a decisão seja jogada na Espanha e eu quero que seja no Monumental, o estádio do River Plate”, comentou em entrevista coletiva realizada em março.

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Espanha e Argentina brigam por uma marca extremamente relevante no futebol de seleções. Quem levantar a taça nos Estados Unidos se consolidará como a única equipe a conquistar duas Copas do Mundo no século XXI. Pode ser o segundo título espanhol na história da competição, enquanto os argentinos buscam o quarto triunfo.

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