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Com João Pedroso de Campos (subeditor), Gustavo Silva, João Pedro Bitencourt e Jade Abreu

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Reportagem

O apagão técnico do Rio que inviabiliza o aval de Brasília ao Rioprevidência 

Ministério da Previdência barra fundo por falhas que vão de relatórios ocultos a desfalque na cúpula do Rioprevidência, autarquia do Estado do Rio

por Gustavo Silva
Publicado em 02/06/2026 às 11:00
Tânia Rêgo/Agência Brasil

O buraco no Rioprevidência é muito mais embaixo do que a burocracia confessa e acaba de ganhar contornos de apagão administrativo completo. Dados recentes do Ministério da Previdência revelam que o fundo estadual acumulou irregularidades em uma série de critérios essenciais de gestão e investimentos. O apagão administrativo torna ainda mais distante a renovação do Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP), vencido desde outubro do ano passado. Sem o documento, o Palácio Guanabara segue de mãos atadas, impedido de receber repasses voluntários de Brasília ou contrair empréstimos com aval da União.

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A lista de pendências atualizada pelo governo federal mostra o tamanho do travamento nessas especificidades. O Rioprevidência acumulou restrições que vão desde a inconsistência e falta de envio da política anual de investimentos (DPIN) e dos demonstrativos mensais de aplicação (DAIR) até falhas no básico: o DIPR, relatório bimestral que comprova que o dinheiro descontado do contracheque dos servidores foi de fato repassado para o caixa da previdência. Para complicar, o critério que avalia os requisitos legais para os dirigentes e conselheiros do fundo também foi carimbado como irregular. 

A paralisia na gestão é o desdobramento do escândalo envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro, que entrou em liquidação. O que começou no início do ano como um “medo da caneta” de diretores em assinar relatórios sobre um aporte de R$ 960 milhões revelou-se um abismo muito maior, como mostrou a coluna.

A conta dessa engenharia caiu direto no colo de Cláudio Castro, que renunciou ao cargo de governador em março deste ano e acabou virando alvo de buscas da PF em maio. Segundo os investigadores, Castro recebeu vantagens como viagens internacionais de luxo e eventos privados custeados pelo dono do Master, Daniel Vorcaro. Em troca, o então governador operava politicamente para nomear diretores na autarquia dispostos a ignorar os alertas das áreas de controle e carimbar as aplicações bilionárias. 

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Procurado, o Rioprevidência não retornou até o momento de publicação da reportagem.

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