Miguel Barbieri

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Análise

Atenção: o documentário ‘Anatomia do caos’ pode causar uma grande revolta

Em 'Anatomia do caos', a diretora Dandara Ferreira registrou os seis meses da CPI da Covid-19, que acabou em pizza

03/07/2026 às 06:00 · Atualizado há 3 meses
Cena do doc 'Anatomia do caos' (Divulgação)
Cena do doc ‘Anatomia do caos’ (Divulgação)

O brasileiro tem memória curta. Ninguém é autor dessa expressão popular, mas ela cai muito bem para exemplificar o quanto a gente esquece a nossa própria história. Seis anos atrás, o mundo passou pelo momento mais crítico em relação à saúde, por causa da pandemia da Covid-19 e, provavelmente, você deve ter perdido algum parente ou amigo para a doença. O Brasil instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar a negligencia do governo federal e no que deu essa CPI? O documentário “Anatomia do caos”, que está em cartaz nos cinemas, pode causar uma grande revolta.

Leia também: Diretora de ‘Anatomia do Caos’ diz que o filme busca justiça

Dandara Ferreira, que foi uma das diretoras da cinebiografia “Meu nome é Gal”, esteve praticamente focada num assunto só. Ela não recorreu a depoimentos atuais nem fez uma retrospectiva da pandemia. O interesse dela foi a CPI e, a partir dela, mostrar os erros, desleixos e omissões de políticos, médicos e empresários.
Quem acha que já sabe muito sobre o tema e que, hoje, ele até provoca desgaste emocional, vai se surpreender. O objetivo desse documento audiovisual é preservar os fatos daquilo que foi feito (ou do que não foi feito). É perpetuar, para as futuras gerações, o período em que o governo deixou o caos tomar conta do país durante sua maior crise sanitária, que vitimou mais de 700 mil brasileiros.

Imagens de bastidores com uma câmera dentro da CPI

Dandara Ferreira recorreu a imagens da TV Senado e, de maio a outubro de 2021, também posicionou sua câmera dentro da CPI para registrar situações patéticas de bastidores. Em um dos trechos mais constrangedores, o senador e médico baiano Otto Alencar destrói a reputação da doutora Nise Yamaguchi quando ela se atrapalha em tentar mostrar cientificamente a eficiência da cloroquina. Desfilam ainda pela tela depoimentos dos empresários negacionistas Carlos Wizard e Luciano Hang, do ex-ministro da saúde Eduardo Pazuello e do deputado federal Osmar Terra, entre outros. Revendo o passado, a indignação fica ainda maior.

A realizadora condensou muito bem os seis meses que durou a CPI em um oportuno documentário de 90 minutos. “Para evoluirmos, precisamos trabalhar as nossas memórias”, diz ela.

Assista ao trailer de “Anatomia do caos”:

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