análise: Não adianta proibir, o debate sobre Nossa Senhora Aparecida está na boca do povo
Decisões do STF e do TSE não podem mais impedir o debate religioso entre as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, principalmente nas redes sociais, envolvendo Nossa Senhora Aparecida

Nesta altura dos acontecimentos, a retirada do ar das postagens que associam Flávio Bolsonaro a uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o posto de Padroeira do Brasil tem pouco impacto no debate sobre o assunto pela população. O estrago na campanha do candidato já foi feito e a discussão em torno do título da santa não pode mais ser estancada, está na boca do povo.
Mas o encaminhamento do caso pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai revelar a correlação de forças políticas nas duas cortes. Não é segredo para ninguém que os ministros André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux tomam decisões que contrariam os interesses do governo. Pelo outro lado, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin atuam mais alinhados ao Planalto.
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Polêmica em torno de Nossa Senhora Aparecida é motivo de embate
Esse embate sobre foi de certa forma interrompido com o recente pedido de vista feito por Dino sobre o processo que trata da relação entre Moraes e o banco Master. A disputa política entre Flávio Bolsonaro e Lula sobre o papel da santa reativou o conflito interno no STF e no TSE.
Nos próximos dias, os movimentos nos tribunais superiores vão mobilizar as estruturas jurídicas dos candidatos e alimentar as campanhas nas ruas e, principalmente, nas redes sociais. De um jeito ou de outro, o debate religioso continuará inflamando a militância dos dois principais candidatos a presidente pelo menos até domingo, 4, data do primeiro turno.
Atolados no escândalo do Master, o STF e o TSE se equilibram nas circunstâncias para conduzir o processo eleitoral, mas as últimas decisões monocráticas dos ministros expõem divergências sobre as atribuições constitucionais das duas cortes. É nesse clima de beligerância na cúpula do Judiciário que os brasileiros vão às urnas para escolher o próximo presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais.
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