Banco Master: novas revelações de ‘greenwashing’ e a encruzilhada do STF
De perfil seletivo e contido, o ministro Edson Fachin assume a presidência da Corte em meio a enxurrada de críticas e a novos fatos que se desenrolam dia após dia

O caso do Banco Master ganhou um novo capítulo com a revelação de um esquema envolvendo créditos de carbono usados para inflar ativos financeiros. Documentos destrinchados em uma reportagem do jornal “Folha de S.Paulo” indicam que a família de Daniel Vorcaro –principal gestor do Master– participou da estruturação de um projeto bilionário baseado em estimativas ambientais sem lastro de mercado e realizado sobre terras públicas da União na Amazônia. A operação teria servido para turbinar fundos ligados à gestora Reag, investigados pelas autoridades, levantando suspeitas de greenwashing e de valorização fictícia de patrimônio.
É extremamente oportuno que o tema dos créditos de carbono venha à tona agora, em meio a uma discussão sobre o uso de ativos “podres” para prática de greenwashing. Faz parte de um mercado novo enfrentar problemas de compliance e fraude, com “gente ruim” entrando para competir com quem, de fato, tenta desenvolver o setor de forma séria.
Banco Master: De instituição ‘fora da curva’ a graves suspeitas de fraudes
A grande novidade que vemos agora, contudo, é como isso se relaciona com o caso do Banco Master. As reportagens recentes da Folha e do UOL funcionaram como uma “agulha no palheiro”, revelando novas camadas e personagens envolvidos no que foi uma fraude para inflar o tamanho do banco. Utilizou-se essa questão ambiental para dar volume a uma instituição sem lastro na realidade.
Fachin assume presidência do STF em meio a críticas
Essa situação deságua diretamente na crise institucional do Supremo Tribunal Federal (STF). O início da presidência do ministro Edson Fachin revela-se muito mais difícil do que parecia inicialmente. Fachin, que possui um estilo muito diferente de boa parte de seus pares, sendo mais seletivo e contido, assume o comando precisamente no momento em que a Corte está no centro de todas as críticas. O cenário se agrava quando Dias Toffoli chama o caso Master para o Supremo, trazendo, consequentemente, essa crise para dentro da instituição.
Vemos vários fatos sendo listados pela imprensa dia após dia, aprofundando o desgaste. Isso torna a missão de Fachin bastante árdua, pois não é trivial ministros removerem um colega de um caso. Assim, fazer isso hoje significaria abrir um precedente perigoso para o amanhã. É como se todos agissem numa defesa corporativa nesse sentido.
Diante disso, a melhor saída, até sendo uma “saída honrosa”, seria o próprio Toffoli tomar a iniciativa de largar o inquérito, sob o argumento de que muitas questões já lhe foram apontadas. Afinal, aplica-se aqui a máxima de que “não basta ser honesto, tem que parecer honesto”. Mas Toffoli fará isso? Não há indícios, porque significaria abrir mão de um grande poder sobre uma investigação que se revela uma das maiores, talvez a maior, que teremos ao longo deste ano.
Por tudo isso, a missão de Fachin não é fácil; é, sem dúvida, mais complexa do que aparentava quando ele assumiu a presidência da Corte.
Assista ao comentário completo de Beatriz Bulla no Matinal desta quarta-feira (21):