Reportagem

Extrema direita vence com folga eleição estadual na alemanha, mas pode não governar

Partido AfD chega a 44,5% dos votos na Saxônia-Anhalt, segundo projeções, enquanto CDU de Friedrich Merz fica com 18,5%

por Brenda Gusmão
06/09/2026 às 15:52 · Atualizado há 1 mês
Membros da AfD, partido de extrema direita da Alemanha
Membros e apoiadores da AfD celebram resultado das eleições na Saxônia-Anhalt (Ronny Hartmann / AFP)

A Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema direita, venceu neste domingo (6/9) a eleição da Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha, com sua maior votação em um pleito estadual. A legenda aparece com 44,5% dos votos na projeção divulgada após o fechamento das urnas pela emissora pública ARD. O resultado, porém, ainda não garante que a AfD conseguirá formar o governo.

A votação representa mais que o dobro dos 20,8% obtidos pela AfD no estado em 2021. Já a União Democrata-Cristã (CDU), partido do chanceler Friedrich Merz, caiu de 37,1% para 18,5%, seu pior resultado em uma eleição estadual. Força conservadora na Alemanha, a CDU governa a Saxônia-Anhalt desde 2002.

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Pela projeção da ARD, a AfD teria 39 das 83 cadeiras do Parlamento estadual, três a menos que as 42 necessárias para uma maioria absoluta. A composição ainda depende do resultado dos partidos que estão próximos da cláusula de barreira de 5%. O BSW, partido de esquerda populista liderado por Sahra Wagenknecht, aparece com 5%.

A formação do governo também esbarra na Brandmauer, política adotada pelos principais partidos alemães para rejeitar alianças com a AfD. Sem maioria própria e isolada pelos demais partidos, a legenda pode tentar formar um governo minoritário. O BSW é particularmente relevante nesse cenário porque sua direção nacional indicou durante a campanha que não pretende necessariamente se opor a uma administração minoritária da AfD.

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O resultado é o melhor desempenho da AfD em uma eleição estadual alemã e a coloca diante da possibilidade de comandar, pela primeira vez, um governo regional. O diretório estadual da legenda é classificado como organização extremista de direita pelas autoridades de inteligência da Saxônia-Anhalt.

Siegmund diz que AfD ‘fez história’

O candidato da AfD ao governo, Ulrich Siegmund, comemorou o resultado como um marco para o partido. Após a divulgação da boca de urna, ele afirmou à emissora pública ARD que a AfD “fez história” e disse que os eleitores enviaram um sinal de que “as coisas não podem continuar assim”.

Siegmund apresentou a votação como um recado ao governo federal. “Também foi um sinal para Berlim”, afirmou, antes de ironizar Merz ao dizer que o chanceler foi um “excelente cabo eleitoral” para a AfD durante a campanha.

Aos 35 anos, Siegmund é deputado estadual e tenta se tornar o primeiro governador da AfD na Alemanha. Ele ganhou projeção nas redes sociais e se tornou uma das principais figuras do partido no leste alemão.

O peso do leste alemão

A Saxônia-Anhalt fica no território da antiga Alemanha Oriental e, mais de 35 anos após a reunificação, permanece entre as regiões mais pobres do país. O estado tem a menor renda per capita da Alemanha e uma taxa de desemprego superior à média nacional.

A região também perdeu população desde a reunificação. A saída de jovens para o oeste contribuiu para a redução do número de habitantes de quase 2,9 milhões em 1990 para cerca de 2,1 milhões em 2025.

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É nesse contexto que a AfD construiu uma base eleitoral especialmente forte no leste alemão, combinando insatisfação com a situação econômica e críticas aos partidos tradicionais com pautas como imigração e segurança.

Berlim e Mecklemburgo serão os próximos locais em disputa

O resultado da Saxônia-Anhalt abre uma nova sequência de disputas eleitorais na Alemanha. Em 20 de setembro, Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental realizam suas eleições estaduais.

Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, pesquisas apontam a AfD na liderança, com cerca de 35% a 37% dos votos, mas o cenário para que o partido chegue ao governo é menos favorável. O estado é governado pelo SPD desde 1998, atualmente em coalizão com A Esquerda (Die Linke).

Em Berlim, a AfD também pode ampliar sua votação e aparece com cerca de 18%, ante 9% na eleição de 2023. Na capital, porém, a disputa pelo governo é concentrada principalmente entre CDU e A Esquerda, em uma campanha marcada por temas como custo de vida e crise habitacional.

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