Reportagem

Advogados públicos articulam carta contra campanha eleitoral da cúpula da AGU nas redes

Cartilha eleitoral editada pela AGU classifica como infração ética confundir manifestação pessoal com posição institucional

por João Pedro Bitencourt
01/10/2026 às 23:18 · Atualizado há 3 dias
agu
O advogado-geral da União, Jorge Messias (Foto: Lula Marques/ Agência Brasil)

Advogados públicos federais articulam uma carta aberta contra a atuação política da cúpula da Advocacia-Geral da União (AGU) nas redes sociais.

Leia também: AGU aciona PF e PGR para investigar financiamento dos EUA a campanha contra o STF

São alvos o advogado-geral da União, Jorge Messias, o substituto, Flávio Roman, e a procuradora-geral da União, Clarice Calixto. Segundo relatos ouvidos pela reportagem, os três intensificaram nas últimas duas semanas as publicações de cunho eleitoral em seus perfis.

O episódio que mais teria irritado a categoria foi um suposto vídeo que Roman teria publicado nesta quinta-feira, 1º/10. Nele, ele teria se dirigido ao presidente Lula, afirmado que os advogados públicos estão com ele e pedido voto no 13. No entanto, o perfil de Roman no Instagram é fechado, e a reportagem não teve acesso à publicação.

Para os críticos, a mensagem teria falado em nome de uma categoria que não tem posição unificada. Os insatisfeitos ainda não definiram se a carta é uma boa estratégia e se irão enviá-la. Eles citam a Cartilha Eleitoral de Condutas Vedadas, editada pela própria AGU sob Messias com orientações da Comissão de Ética Pública da Presidência

O texto classifica como infração ética “confundir manifestação pessoal com posicionamento institucional, especialmente quando houver referência explícita ou implícita ao cargo ocupado”.

“O exercício dos cargos públicos não é compatível com manifestações que comprometam a imagem institucional do Poder Executivo federal ou que possam ser interpretadas como uso indevido da posição pública para fins político-partidários”, diz a cartilha.

(Atualização, às 14h33 de 2/10/2026: O Fórum da Advocacia Pública Federal afirmou que o ofício enviado à AGU tratou de episódio pontual envolvendo manifestação pública de uma autoridade da instituição. Segundo a entidade, a repercussão desse episódio poderia suscitar interpretações equivocadas acerca da neutralidade da Advocacia-Geral da União durante o período eleitoral.

“É importante registrar que o encaminhamento foi feito diretamente ao Advogado-Geral da União porque o Fórum confia na condução responsável do Ministro Jorge Messias e na sua capacidade de orientar a instituição para a estrita observância das balizas legais e das diretrizes aplicáveis à comunicação pública”, diz a nota.

A reportagem mantém a apuração de que havia insatisfação entre integrantes das carreiras com as publicações da cúpula do órgão e de que, nas discussões internas, foi debatida uma manifestação direcionada aos três.)

**(Atualização, às 16h17 de 2/10/2026: A Advocacia-Geral da União (AGU) esclareceu que as postagens e manifestações citadas foram feitas nas redes pessoais dos membros da instituição.

“Todos os servidores e membros da AGU têm liberdade para se expressar nas suas próprias redes, desde que tais manifestações não configurem ilícito eleitoral ou infração ética”, disse a AGU, por meio de nota.)

PLAYLISTS