‘Acordo Mercosul-União Europeia será muito proveitoso’, diz Gilmar Mendes
Ministro do STF, Gilmar Mendes esteve em encontro apresentado pelo prefeito de Lisboa, Carlos Moedas

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, afirmou na noite desta quarta-feira (3) que está com boas expectativas em relação ao Acordo Mercosul-União Europeia. O magistrado brasileiro participou do encontro “Diálogos sobre Brasil e Europa”, realizado pelo Lisboa Connection e pelo Amado Mundo, ao lado de Isabel Capeloa Gil, conselheira de Estado de Portugal e reitora da Universidade Católica Portuguesa.
“Eu me posiciono com bastante expectativa em relação à entrada em vigor do Acordo União Europeia-Mercosul. Acredito que daqui a pouco nós vamos estar avançando nessa cooperação e certamente será muito proveitoso para a Europa e para a América do Sul”, avaliou Gilmar Mendes, em mesa mediada pelo advogado Gustavo Bichara.
“E, claro, sendo a maior economia da América do Sul, o papel do Brasil será extremamente importante.”
O evento, que contou com discursos de abertura de Carlos Moedas, prefeito de Lisboa, Rafael Furlanetti, presidente da Ancord, e Gustavo Chalfun, presidente da OAB-MG, teve na plateia o jurista e ex-ministro Ricardo Lewandowski.
Gilmar Mendes reforçou a importância da democracia no Brasil
Além de reforçar a indústria brasileira, com menção a empresas como a Embraer, Gilmar Mendes abordou a ascensão da extrema direita nos últimos anos e os riscos que as democracias liberais enfrentam mundo afora. Sem esquecer o caso brasileiro.
“Nós tivemos a eleição no Brasil de Bolsonaro, que instalou um sistema extremamente complicado e que passou a ser uma ameaça à democracia. Nós não temos outra alternativa, me parece, se não a de cumprirmos a nossa função de defesa da democracia”, avaliou.
Gilmar também lembrou o fatídico 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores do ex-presidente atacaram as sedes do executivo e o próprio Supremo Tribunal Federal. Segundo o ministro, “havia uma certa carga de raiva na própria destruição do plenário”.
“De alguma forma, o tribunal, talvez por ter imposto limites àquela sanha, pagou um preço mais alto também nesses ataques. Mas eu tenho também a convicção de que o Brasil é um case de sucesso, no sentido de desenvolver os valores básicos do estado democrático de direito, ou do que chamamos de estado constitucional.”
De acordo com Gilmar, o atual governo conseguiu avanços em muitos pontos, apesar de atuar como minoria em um cenário hostil tanto no congresso quanto no senado.
“Tenho a impressão de que, resolvidas algumas questões macroeconômicas, nós vamos voltar a crescer significativamente. Não é por acaso que estamos aí entre as 10, 12 economias do mundo, em um ambiente de normalidade institucional.”