Talita Fernandes

De Jerusalém, análises sobre política, mundo e Oriente Médio

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Análise

Ação na Venezuela mostra ‘modus operandi’ de Trump: agir primeiro e improvisar depois

A resposta do mundo ao caso Maduro será o termômetro para medir até onde ele está disposto a ir

05/01/2026 às 17:19 · Atualizado há 8 meses
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala com jornalistas a bordo do Air Force One, acompanhado do senador republicano Lindsey Graham, durante voo de retorno a Washington após passar o recesso de fim de ano em Mar-a-Lago, na Flórida. Foto: Jim Watson/AFP

Mais do que uma estratégia clara e acabada, a ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela revela um padrão recorrente do governo Donald Trump: agir primeiro e avaliar as consequências depois.

A captura de Nicolás Maduro e o discurso confuso sobre quem governaria o país indicam que a operação pode ter sido planejada apenas até certo ponto. O restante parece estar sendo improvisado em tempo real.

As próprias declarações do presidente americano reforçam essa leitura. Trump falou em “administrar” a Venezuela, descartou lideranças da oposição e acenou com a possibilidade de trabalhar com figuras do próprio chavismo, como a vice-presidente Delcy Rodríguez, ao mesmo tempo em que a ameaçou publicamente.

Não está claro se o objetivo é instalar um governo aliado, explorar economicamente o país ou simplesmente demonstrar força.

Reação internacional passa a ser parte central do cálculo

Trump observa atentamente o tom das respostas vindas da América Latina, da China, da Rússia e dos organismos multilaterais. A ausência de uma reação mais contundente pode funcionar como sinal verde para manter, ou até ampliar, a estratégia. Já uma resistência mais coordenada poderia forçar recuos ou ajustes de discurso.

A incerteza também se reflete no processo judicial contra Maduro, que começa em Nova York. O desenrolar da audiência, a linha de defesa adotada e a repercussão política do caso devem servir como termômetro para os próximos passos da Casa Branca. Trump parece testar os limites da ordem internacional e medir até onde pode ir sem pagar um preço alto demais.

No fim das contas, a Venezuela pode ser apenas o primeiro movimento de um jogo maior. O que está em disputa não é só o destino do regime chavista, mas o grau de tolerância do mundo a uma política externa americana mais unilateral, mais explícita e menos constrangida pelas regras que, até aqui, organizavam o tabuleiro global.

Assista ao comentário completo de Talita Fernandes no Matinal desta segunda-feira (5):

Os artigos publicados pelo Amado Mundo não refletem necessariamente a opinião do site. O objetivo ao publicá-los é estimular o necessário debate em qualquer democracia.
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