‘A Odisseia’: maioria dos brasileiros não assiste ao filme como Christopher Nolan concebeu
Só existem 12 salas Imax no país, concentradas em 9 cidades. No resto do Brasil, "A Odisseia" é passada sem seguir a concepção ideal do diretor

Só se fala de “A Odisseia”, o novo filme do diretor inglês Christopher Nolan, que está em cartaz nos cinemas. O realizador de “Oppenheimer” é um pioneiro, porque “A odisseia” é o primeiro longa-metragem totalmente filmado em Imax com película 70mm, o que dá uma imersão profunda ao espectador. Mas, para ter essa excepcional qualidade de som e imagem, é preciso de uma sala Imax 70mm. Não existe nenhuma no Brasil. No mundo, são só 41.
Temos salas Imax com projeção digital, mas apenas 12 no país, sendo cinco no estado de São Paulo e uma unidade cada em Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Salvador e Fortaleza. Ou seja: a grande maioria dos brasileiros está assistindo ao filme num cinema convencional, e essa também foi a minha experiência. Talvez por ter visto numa sala “normal” e, pela minha vivência, dá para afirmar que já vi Christopher Nolan ser mais imponente em outros trabalhos, como “Batman, o cavaleiro das trevas” e “Interestelar”. “Durkirk”, sobre o resgate dos soldados aliados na Segunda Guerra Mundial, continua sendo o melhor filme do cineasta.
‘A Odisseia’: poema épico de Homero já foi adaptado em filme de 1954
“A Odisseia” também tem grandiosidade e ambição, sobretudo por Nolan levar às telas uma versão da complexa obra homônima de Homero, escrita há quase três mil anos. Vale lembrar que o poema épico já foi adaptado para o cinema, em “Ulysses”, de 1954, com Kirk Douglas de protagonista. E eu revi recentemente, de graça, no streaming NetMovies. O roteiro era mais enxuto e a produção de época, vista 70 anos depois, ficou tosca e brega.
“Ulysses” tem duas horas e dava conta do recado. Nolan precisa de longos 172 minutos para contar a história do regresso de Odisseu (o nome grego para o latino Ulysses) para Ítaca, após sair vitorioso da Guerra de Troia. A nova “Odisseia”, que tem uma recriação estupenda, é mais intensa ao fazer do protagonista um personagem atormentado e enfrentando seus demônios pelas mortes dos soldados e a destruição de Troia. Não entro na briga de que Helena de Troia era branca e Lupita Nyong’o, que é negra, interpreta a personagem. Deixo essa polêmica para historiadores ortodoxos.
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O elenco, composto de estrelas como Matt Damon, Anne Hathaway, Charlize Theron, Robert Pattinson e Zendaya, é bem conduzido, mas nenhuma atuação se sobressai. Se quiserem forçar a barra, Samantha Morton, como a feiticeira Circe, e John Leguizamo, na pele do pastor de porcos Eumeu, são bons nomes para a categorias de atriz e ator coadjuvante. “Oppenheimer”, filme anterior de Nolan, ganhou sete Oscars em 2024 e, no que vem, o realizador, certamente, voltará à cerimônia. Só resta saber quantas indicações “A Odisseia” terá.