Reportagem

As três ações da ApexBrasil para amenizar os efeitos do tarifaço

ApexBrasil vai criar plano de diversificação de mercados para reagir ao tarifaço

por João Pedro Bitencourt
17/07/2026 às 11:55 · Atualizado há 3 meses
Floresta Amazônica
Laudemir Müller,presidente da ApexBrasil. Créditos: Aarão Prado/ApexBrasil

A ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) vai destinar R$ 130 milhões para um plano de diversificação de mercados, que vai trabalhar em conjunto com 57 entidades de setores exportadores. A estratégia específica do plano será anunciada nos primeiros dias de agosto e tem como objetivo abrir novas frentes de comércio exterior para reduzir a dependência brasileira do mercado americano diante do tarifaço imposto por Washington.

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O plano de diversificação da Apex funciona como uma estratégia de articulação comercial. Com o investimento de R$ 130 milhões, a agência pretende usar seus escritórios no exterior para identificar compradores internacionais, prepará-los para negociar com empresas e cooperativas brasileiras e custear rodadas de negócio no Brasil.

“Inteligência de mercado, preparação dessas empresas e custear a vinda de compradores internacionais. É o que a ApexBrasil já faz muito, e agora faremos com foco na diversificação dos mercados”, afirma o presidente da agência, Laudemir Müller.

A Europa é a prioridade na estratégia de diversificação de mercados por causa do acordo da União Europeia com o Mercosul. A Ásia, sobretudo países da Ásia Central, também é outra das prioridades. Segundo Müller, essas regiões mapeadas contam com alto desenvolvimento e taxa de investimento. Ele citou o Uzbequistão e o Cazaquistão como dois exemplos.

Müller acrescentou que o plano de diversificação é geral e que não vai amparar apenas os setores que não ficaram isentos, embora eles tenham uma atenção especial.

A agência também vai ampliar o trabalho para aumentar a participação brasileira nos setores isentos da sobretaxa, com atenção especial à lista de 85 produtos que ficaram de fora da tarifa. A ideia é aproveitar essas brechas para elevar as exportações justamente nas categorias que escaparam do tarifaço, compensando parte das perdas nos setores atingidos.

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Por fim, a ApexBrasil segue com a linha de atuação que, segundo a agência, já vinha adotando desde o anúncio das tarifas: apoio direto às empresas brasileiras afetadas, diálogo constante com o lado americano e um esforço contínuo para ampliar o número de produtos isentos da sobretaxa.

ApexBrasil estima impacto de US$ 7,2 bilhões

Segundo a ApexBrasil, US$ 7,2 bilhões dos US$ 38 bilhões (19,2%) que o Brasil exporta por ano aos Estados Unidos — referentes ao ano de 2025 — estão diretamente impactados pelo novo tarifaço americano. São Paulo é o estado mais afetado em valores absolutos, com US$ 3 bilhões dos produtos taxados, o equivalente a mais de 20% de toda a exportação paulista aos EUA.

Santa Catarina, por sua vez, tem a maior proporção de impacto relativo: 68% do que exporta para os americanos está sujeito à nova tarifa. Somados, São Paulo e Santa Catarina concentram 52% de todo o impacto do tarifaço sobre as exportações brasileiras.

Apesar do cenário adverso, a Apex ressalta que a lista de produtos isentos cresceu ao longo do processo: na sinalização inicial do governo americano, a expectativa era de que US$ 20 bilhões das exportações brasileiras ficassem de fora da tarifa; com a publicação da medida, esse valor subiu para US$ 23 bilhões.

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