Documentário da Netflix toca em feridas ao abordar o legado do 11 de Setembro
"Ponto de virada" questiona os motivos que levaram os Estados Unidos a prorrogar a guerra ao terror após a morte de Osama bin Laden

Você acredita que, na semana que vem, completam-se 25 anos dos atentados terroristas do 11 de setembro? E chega em boa hora, portanto, o documentário “Ponto de virada: 11/9 e a guerra contra o terror”, da Netflix, que faz uma retrospectiva da tragédia que mudou o mundo e questiona os contra-ataques dos Estados Unidos nessas mais de duas décadas.
Entrevistas com os familiares das vítimas dos atentados
O filme também traz à frente das câmeras familiares das vítimas que estavam nas torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, ou no Pentágono, no estado da Virgínia, alvos atingidos pelos aviões com os terroristas. A curiosidade aqui é que as entrevistas são feitas com adultos que, na época, eram crianças – e suas memórias, que incluem a perda do pai, são de partir o coração.
Leia também: O casamento de Ingrid Guimarães e Mônica Martelli em ‘Minha melhor amiga’
Após os relatos emocionais, “Ponto de virada” começa a tocar na ferida principal: os Estados Unidos tinham motivos para permanecer no Afeganistão durante vinte anos? A invasão norte-americana no país radical islâmico, em 2001, provocou a queda do Talibã e, dez anos depois, em 2 de maio de 2011, Osama bin Laden foi capturado e morto. Se ele era o inimigo número 1 dos Estados Unidos, por que as tropas militares não regressaram logo em seguida? E aí surgem depoimentos de soldados americanos que, em solo afegão, dizem que, para mostrar “serviço”, apontavam como terroristas pessoas que se diziam inocentes – e, na maioria das vezes, eram mesmo.
Documentário da Netflix revela como o caos tomou conta de Cabul
O que mais chama a atenção e que toma bons minutos do documentário é o que ocorreu em Cabul quando, em 2021, o presidente americano Joe Biden, herdando um plano de seu antecessor, Donald Trump, retirou suas tropas do Afeganistão. Durante duas décadas, o país esteve livre do Talibã, mas, sem os militares estrangeiros, o regime repressor voltou às ruas.
O aeroporto ficou congestionado de afegãos que tinham (ou não) o direito de deixar o país e o caos se instalou. Biden enviou cerca de 7000 militares para conter a confusão, já que o Talibã havia retomado o controle da cidade. O jeito foi entrar num acordo, para a retirada de civis, entre Estados Unidos e Talibã.
Bebês afegãos foram entregues aos soldados americanos
Um soldado, que achou a decisão lamentável, diz que, quem não era selecionado para embarcar para os Estados Unidos, devia ser encaminhado para um portão, onde os recusados encontravam membros do Talibã preparados para fuzilar os “traidores”. É um fato chocante que eu desconhecia. Também impressionam as imagens de bebês afegãos sendo entregues, pelo muro, aos soldados americanos. Me lembrou os judeus que precisaram se “desfazer” de seus pequenos filhos quando embarcavam para os campos de concentração. Os Estados Unidos receberam, em 2021 e nos anos posteriores, cerca de 200 mil civis afegãos, algo impensável hoje na política migratória de Donald Trump.
Receba no WhatsApp as melhores reportagens, programas e documentários do canal Amado Mundo. Inscreva-se!